
A Justiça de São Paulo determinou a prisão do jornalista Luan Araújo, conhecido por ter sido perseguido pela então deputada federal Carla Zambelli com uma arma de fogo na véspera do segundo turno das eleições de 2022. A decisão foi proferida pelo juiz José Fernando Steinberg, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Segundo a decisão, a pena restritiva de direitos imposta a Araújo, que é um homem negro, em uma condenação por difamação foi convertida em pena privativa de liberdade, em regime aberto, após o não pagamento da prestação pecuniária determinada pela Justiça.
O processo teve origem em um texto publicado por Araújo na internet após o episódio envolvendo Zambelli. Na publicação, o jornalista fez críticas à então parlamentar e ao grupo político que a apoiava. A Justiça entendeu que houve difamação e fixou uma multa como parte da condenação. De acordo com o magistrado, o descumprimento da obrigação resultou na conversão da pena.
Na decisão, o juiz afirmou que o jornalista foi devidamente intimado para cumprir a medida, mas não realizou o pagamento determinado judicialmente. Com isso, aplicou o dispositivo do Código Penal que prevê a substituição da pena alternativa por prisão em casos de descumprimento.
A defesa de Luan Araújo informou que apresentou pedido de habeas corpus para reverter a decisão. Os advogados alegam que o jornalista enfrenta dificuldades financeiras e não teria condições de arcar com os valores estabelecidos pela condenação.
O caso ocorre em meio a uma disputa judicial mais ampla entre Araújo e Carla Zambelli. Em fevereiro deste ano, o jornalista anunciou uma ação por danos morais contra a ex-deputada, pedindo indenização de R$ 2 milhões em razão do episódio ocorrido em 2022, quando foi perseguido por ela armada pelas ruas de São Paulo.
O episódio ganhou repercussão nacional e levou à abertura de investigações que resultaram na condenação de Zambelli por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a ex-deputada a cinco anos e três meses de prisão pelo caso.



