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Museus da Bahia registram alta de 81% na visitação e estado investe em expansão da rede

Com mais de 2,2 milhões de visitantes em 2025, setor ganha novo sistema estadual e reabertura de equipamento no Recôncavo após 20 anos fechado

Foto: Fernando Barbosa

A Semana Nacional dos Museus, que começou no último dia 19 e segue até domingo (24), chega neste ano em meio a um momento de expansão do setor na Bahia. Dados do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) mostram que os equipamentos administrados pelo estado receberam 2.292.617 visitantes em 2025, um crescimento de 81,3% em relação ao ano anterior (1.264.477 visitantes, incluindo o público do MAB Virtual).

“Temos observado um crescimento expressivo da visitação aos museus administrados pelo Estado, resultado dos investimentos contínuos em requalificação, programação cultural e políticas públicas voltadas para democratização do acesso à cultura”, afirma Marcelo Lemos Filho, diretor-geral do IPAC. “Esses dados demonstram que os museus estão cada vez mais presentes na vida da população e sendo reconhecidos como espaços vivos, de convivência, educação, memória e produção cultural.”

Durante a semana, os equipamentos vinculados ao Estado oferecem programação com rodas de conversa, visitas mediadas, oficinas e exposições. O Parque Histórico Castro Alves, em Cabaceiras do Paraguaçu, abriu a programação com uma roda de conversa sobre o papel social dos museus, seguida de visita guiada. Outro destaque é a abertura da exposição “Mundo Zira”, no Museu de Arte da Bahia (MAB), em parceria com o CCBB.

Expansão sem multiplicar prédios

Apesar do salto na visitação, o plano de expansão não passa necessariamente pela construção de novos edifícios. O IPAC administra atualmente seis museus estaduais, além do Memorial das Matriarcas, e a aposta é em consolidar uma política integrada. “Mais do que ampliar fisicamente a rede, nosso foco neste momento é consolidar uma política estadual integrada para o setor, capaz de fortalecer tanto os museus públicos quanto os espaços privados e comunitários existentes em todas as regiões do estado”, diz Lemos Filho.

Na prática, a política de expansão se desdobra em duas frentes. A primeira é a reabertura de equipamentos que estavam parados, como o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, em Caboto, que passou mais de duas décadas fechado. Foram investidos R$ 45 milhões na restauração, com nova proposta expográfica que prioriza narrativas africanas e indígenas.

SISEM-BA: a política pública como prioridade

A segunda frente é a implantação do Sistema Estadual de Museus da Bahia (SISEM-BA), iniciativa que busca articular e qualificar institucionalmente o setor museológico baiano. A Bahia tem hoje cerca de 225 espaços museológicos distribuídos pelo território entre museus, centros de memória e acervos visitáveis. O SISEM-BA virá acompanhado de uma Plataforma Museus BA, que reunirá informações sobre instituições, acervos e profissionais, funcionando como instrumento de governança cultural e cooperação entre Estado, municípios, universidades e sociedade civil.

Além da reabertura de espaços, o IPAC reporta investimentos de R$ 35,6 milhões entre 2024 e 2025 em manutenção, dinamização e requalificação dos museus estaduais. No interior, o Museu do Recôncavo, em Candeias, e o Parque Histórico Castro Alves, em Cabaceiras do Paraguaçu, passam por atualizações expográficas. A nova expografia do Parque Histórico Castro Alves tem previsão de abertura até junho.

“Nosso objetivo é garantir não apenas a preservação física desses equipamentos, mas também sua atualização conceitual, tecnológica e educativa, assegurando que continuem dialogando com a sociedade contemporânea”, afirma o diretor-geral do IPAC.

Museus como espaço de cidadania

Sobre o papel dos museus na preservação da identidade baiana, Marcelo Filho defende uma visão que vai além da guarda de acervos. “Os museus não devem ser apenas espaços de guarda de acervos, mas ambientes de produção de conhecimento, diálogo social e reconhecimento das múltiplas narrativas que formam a identidade baiana”, diz. “Isso inclui valorizar as contribuições dos povos indígenas, das populações afro-brasileiras, das comunidades tradicionais, do sertão, do Recôncavo e dos diversos territórios que compõem a Bahia.”

Na prática, essa visão se traduz em curadorias colaborativas e ações de acessibilidade. No MAC Bahia, a “Ocupação Origem” reúne arte contemporânea indígena em parceria com a Setre e a Sepromi. No Museu do Recôncavo, foram instalados elevadores, rampas, audioguias acessíveis e promovidas oficinas de acessibilidade cultural e práticas anticapacitistas. O MAB mantém o projeto “MAB Acessível | Arte à Vista”, com audiodescrição de fachada e obras.

“Quando uma pessoa se reconhece naquele espaço, na narrativa apresentada e na memória preservada, o museu deixa de ser apenas um equipamento cultural e passa a ser também um espaço de cidadania, reflexão e transformação social”, conclui.

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