
A 10ª edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ), marcada para acontecer de 5 a 9 de agosto, no Centro Histórico de Salvador, terá como grande homenageada a poeta baiana Myriam Fraga. Idealizadora do evento, ela esteve à frente da Fundação Casa de Jorge Amado entre 1986 e 2016 e foi uma das principais responsáveis pela consolidação do projeto literário no Pelourinho.
A escolha presta tributo à trajetória da escritora que, em 2006, ao participar da edição da Festa Literária Internacional de Paraty que homenageou Jorge Amado, voltou a Salvador com a proposta de transformar o Centro Histórico em palco de uma grande celebração literária. A ideia amadureceu ao longo dos anos até resultar, em 2017, na realização da primeira FLIPELÔ. Myriam, no entanto, não chegou a presenciar a concretização do projeto.
Reconhecida como uma das principais vozes da literatura brasileira, Myriam Fraga publicou 25 livros, sendo 13 de poesia, 5 de prosa e 7 infantojuvenis. Sua obra foi traduzida para inglês, espanhol, francês e alemão. Em seus poemas, abordou questões sociais do Nordeste, representações da Bahia e a construção simbólica do feminino, dialogando com a mitologia e a identidade cultural.
Eleita por unanimidade para a Academia de Letras da Bahia, tomou posse em 30 de julho de 1985, ocupando a cadeira nº 13, cujo patrono é o poeta Francisco Moniz Barreto. Em 2015, assumiu a vice-presidência da instituição. Também integrou a Associação Baiana de Imprensa e assinou, entre 1984 e 2004, a coluna “Linha D’água” no jornal A Tarde, espaço dedicado a temas culturais.
A homenagem ocorre em um ano simbólico: a Fundação Casa de Jorge Amado completa 40 anos. Myriam teve atuação decisiva na criação e consolidação da entidade, defendendo publicamente sua importância como guardiã da obra de Jorge Amado. O convite para dirigir a instituição foi feito pelo próprio escritor e por Zélia Gattai em 19 de junho de 1986, na Casa do Rio Vermelho, episódio relatado por ela no livro Casa de Palavras (1997).
As artes visuais da FLIPELÔ 2026 também prestarão tributo ao artista baiano Calasans Neto, parceiro histórico de Myriam Fraga. Pintor, gravador, ilustrador e cenógrafo, ele assinou as ilustrações de suas obras desde o primeiro livro, Marinhas (1964). A força dessa parceria foi destacada por Jorge Amado em Navegação de Cabotagem (1992), ao definir a dupla como “imbatível”.
Segundo a direção da Fundação Casa de Jorge Amado, a 10ª edição da FLIPELÔ será uma celebração à altura da escritora e de sua trajetória, reafirmando o compromisso de manter vivo o projeto que transformou o Pelourinho em um dos principais palcos literários do país.



