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Entenda a matemática das eleições e por que nem sempre quem tem mais votos vence

Entenda o passo a passo do cálculo que define as vagas de deputados na Bahia e o fenômeno dos puxadores de votos

Foto: Wilton Junior

A cada dois anos, uma cena se repete na apuração das eleições proporcionais (vereadores, deputados estaduais e federais): eleitores indignados ao verem candidatos com votações expressivas ficarem de fora, enquanto outros, com menos da metade desses votos, assumem uma cadeira no Legislativo.

Não é fraude, nem erro do sistema. É o funcionamento do sistema proporcional, modelo adotado pelo Brasil. Diferente da eleição para governador ou presidente (sistema majoritário), onde “quem tem mais votos ganha”, a eleição para deputado é uma disputa de grupos, partidos ou federações, e não apenas de indivíduos.

Para entender por que seu voto vale, mas nem sempre elege quem você escolheu diretamente, precisamos decifrar duas contas fundamentais: o Quociente Eleitoral e o Quociente Partidário.

Passo 1: O Quociente Eleitoral (O “preço” da vaga)

Antes de saber quem venceu, a Justiça Eleitoral define “quanto custa” cada cadeira em votos.

Na Bahia, por exemplo, temos 63 vagas na Assembleia Legislativa (ALBA) e 39 na Câmara Federal. O cálculo é simples: divide-se o total de votos válidos (excluindo brancos e nulos) pelo número de cadeiras em disputa.

  • Exemplo prático: Se tivermos 1 milhão de votos válidos para 10 cadeiras, o Quociente Eleitoral será de 100 mil votos.
  • A regra de ouro: Apenas os partidos (ou federações) que atingirem, somando os votos de todos os seus candidatos, esse número de 100 mil, terão direito a ocupar cadeiras.

Passo 2: O Quociente Partidário (Quantas cadeiras cada partido leva)

Definido o “preço” da vaga, calcula-se quantas cada partido “comprou”. Divide-se a votação total do partido pelo Quociente Eleitoral.

  • Exemplo prático: Se o “Partido A” teve 300 mil votos no total, e o quociente é 100 mil, ele terá direito a 3 cadeiras.

Quem ocupa essas cadeiras? Os três candidatos mais votados dentro daquele partido, independentemente se o 4º colocado teve mais votos que o 1º colocado do “Partido B”.

É aqui que entra o fenômeno do “Puxador de Votos”: um candidato muito popular (com votação que supera o quociente sozinho) “sobram” votos para ajudar a legenda a atingir o quociente mais vezes, “puxando” colegas de partido com votações menores.

O caso real da Bahia

Para ilustrar como o desempenho do grupo pesa mais que o desempenho individual, basta olhar para o resultado das últimas eleições para a Câmara Federal na Bahia (2022).

  • Raimundo Costa (Podemos) entrou na Câmara com 53.486 votos.
  • Marcelo Nilo (Republicanos) ficou de fora com 65.363 votos.

A explicação está na estratégia coletiva: o partido de Raimundo Costa teve um desempenho global suficiente para garantir aquela vaga na distribuição das sobras. Já o partido de Nilo, apesar dos votos dele, não atingiu a pontuação necessária para puxar sua cadeira.

É por isso que, nesta janela partidária, você vê tantos políticos trocando de time. Eles não estão apenas mudando de ideologia; estão fazendo contas para encontrar um partido que tenha força para atingir o Quociente Eleitoral, mas onde a disputa interna não seja tão acirrada.

Serviço: Fontes para consultar

Para quem deseja aprofundar o conhecimento ou checar os dados oficiais, recomenda-se a consulta direta aos canais da Justiça Eleitoral:

  • Glossário Eleitoral do TSE: Definições oficiais de “Quociente Eleitoral” e “Quociente Partidário”. Disponível no site do TSE, na aba “Eleitor e Eleições”.
  • Legislação: Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965), artigos 106 a 111, que regem o sistema proporcional.
  • DivulgaCandContas (TSE): Plataforma oficial para verificar a votação detalhada de todos os candidatos e partidos nas últimas eleições.

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