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Carnaval 2026: Afoxé Filhos do Congo fortalece história e autoestima negra entre os foliões

Foto: Bruna Rocha

Com cores vibrantes e um som inconfundível, o Afoxé Filhos do Congo realizou mais um desfile nesta terça-feira (17), no último dia do Carnaval de Salvador. O grupo levou para a avenida não apenas música e dança, mas também histórias de pertencimento, ancestralidade e valorização da identidade negra.

Uma dessas histórias é a de Sofia Barros, 16 anos, que conheceu o bloco por meio da mãe e hoje não se imagina fora do desfile. “Saio desde os 10 ou 12 anos. Minha mãe me chamava e a gente vinha. Aqui eu me encontro como mulher negra. Vejo muitas mulheres lindas, com roupas maravilhosas, e isso me encanta. É um espaço de reconhecimento e orgulho”, contou.

Sofia Barros e a mãe, Iza Cruz |Foto: Bruna Rocha

A mãe de Sofia, Iza Cruz, 35 anos, afirma que sua relação com o bloco começou ainda na infância. Filha de uma baiana de acarajé que trabalhava nas festas populares, ela cresceu vivenciando o Carnaval como espaço de cultura e sobrevivência. “Minha mãe era vendedora ambulante, baiana de acarajé. Ela sempre me levava para festas populares, para o Carnaval“, contou.

“Era uma forma de viver e de trabalhar. Esse vínculo foi crescendo. Mesmo depois que ela faleceu, continuo vindo para a avenida com meus filhos para que eles sintam essa energia. Já conheci outros carnavais, mas como o de Salvador não existe”, afirmou. Como forma de eternizar o significado que a mãe tem e seu legado em vida, Iza tatuou a imagem dela trajada com o manto de baiana de acarajé, profissão que ela honrou com orgulho e amor por sua origens.

Iza eternizou legado da mãe como baiana de acarajé em tatuagem | Foto: Bruna Rocha

Hoje, Iza enxerga no bloco um símbolo de herança ancestral e fortalecimento coletivo. “Minha mãe sempre representou a força negra e dizia que pessoas negras devem apoiar umas às outras. Os blocos afro são alguns dos mais bonitos da avenida, e o Filhos do Congo traz essa essência da minha infância, da luta de uma mulher negra que criou seus filhos com dignidade. É herança ancestral, algo que a gente carrega para sempre”, concluiu.

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