
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o risco de propagação internacional do vírus Nipah a partir da Índia é considerado baixo, apesar da gravidade da doença. A avaliação foi divulgada após a confirmação de um surto no estado de Bengala Ocidental, no leste do país, e busca evitar alarmismo diante da repercussão global do caso.
De acordo com a OMS, dois casos foram confirmados até o momento, ambos concentrados em um único distrito. Mais de 190 pessoas que tiveram contato com os infectados foram identificadas e monitoradas pelas autoridades de saúde, e nenhuma apresentou resultado positivo ou sintomas da doença, o que reforça a ausência de transmissão sustentada entre humanos.
Com base nesses dados, a agência das Nações Unidas informou que não recomenda a adoção de restrições de viagem ou de comércio envolvendo a Índia. Segundo o órgão, medidas desse tipo seriam desproporcionais diante do atual nível de risco, classificado como baixo nos âmbitos nacional, regional e global.
O vírus Nipah é uma doença zoonótica, cujo principal reservatório natural são morcegos-frugívoros do gênero Pteropus. A transmissão para humanos pode ocorrer por contato direto com animais infectados, ingestão de alimentos contaminados ou, em situações mais raras, por contato próximo entre pessoas.
Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça e problemas respiratórios, podendo evoluir rapidamente para encefalite, inflamação cerebral grave que pode levar à morte. A taxa de letalidade da doença varia entre 40% e 75%, dependendo da resposta clínica, e atualmente não há vacina ou tratamento específico, sendo indicados apenas cuidados de suporte.
Identificado pela primeira vez na Malásia em 1998, o vírus Nipah já provocou surtos esporádicos em países asiáticos como Bangladesh e Índia. Por seu potencial epidêmico e pela ausência de medicamentos eficazes, o patógeno é considerado prioritário pela OMS para pesquisa e vigilância internacional.



