Em uma das maiores edições da história, políticos testam popularidade, medem forças e buscam a “bênção” das ruas, sinalizando o que esperar da acirrada disputa de outubro.

Foto: Manu Dias
A Lavagem do Bonfim de 2026, realizada nesta quinta-feira (15), foi além da tradicional manifestação de fé. Em um ano eleitoral, o percurso de quase oito quilômetros entre a Igreja da Conceição da Praia e a Colina Sagrada se transformou, mais uma vez, no primeiro grande palco da política baiana. Com as ruas visivelmente mais cheias – um fenômeno comum em anos de eleição –, os principais grupos políticos do estado utilizaram o cortejo como um termômetro para testar a popularidade de seus líderes e pré-candidatos, exibir força e coesão, e mandar os primeiros recados da disputa que se desenha para outubro.
O Cortejo do Governo: a mensagem de paz, trabalho e unidade
O governador Jerônimo Rodrigues pautou seu discurso na fé e no agradecimento, mas sem deixar de lado a marca de sua gestão. “Peço a Deus um ano de paz e tranquilidade”, afirmou, ressaltando também pedidos por “saúde e oportunidade de emprego”. Ao lado do vice-governador, Geraldo Júnior, e de seu secretariado, a caminhada do grupo transmitiu uma mensagem de continuidade e força institucional.
“Esperança, expectativa, força, união, resistência. Aqui tem um simbolismo muito especial, além da religiosidade”, afirmou o vice-governador. A presença maciça de blocos culturais apoiados pelo edital Ouro Negro e a estrutura de segurança e serviços montada pelo Estado também serviram para materializar a presença da máquina governamental no evento. Ao chegar à Colina Sagrada, Jerônimo resumiu o sentimento do grupo: “Uma caminhada bonita. A gente vem abraçando o povo, sendo abraçado e deixando aqui os nossos pedidos para que 2026 seja de muita paz”.
O Cortejo da Prefeitura: o discurso do entusiasmo e das realizações
O prefeito Bruno Reis apostou em uma narrativa de otimismo e sucesso da gestão municipal. Ao chegar à Conceição da Praia, Bruno cravou que aquela seria “a maior Lavagem do Bonfim de toda a história”, creditando a multidão ao “sentimento do povo baiano de entusiasmo, de ver nossa cidade se transformando, de ver a cidade vibrante”.
Acompanhado pela vice-prefeita Ana Paula Matos e por uma grande base de secretários e vereadores, o prefeito buscou capitalizar a alta do turismo e a percepção positiva sobre a cidade. “Desejo que seja um ano de muitas entregas, de muitas realizações. Que possamos tirar projetos do papel, até maiores do que os que já realizamos até aqui”, declarou.
O Termômetro das Ruas: o veredito popular
Para além dos discursos oficiais, o Bonfim serve como um implacável termômetro da popularidade. No corpo a corpo com o povo, cada gesto conta. Políticos são medidos pela sua disposição em mergulhar na multidão, receber fitinhas, abraçar eleitores ou pela distância imposta por seus seguranças.
Em ano eleitoral, vaias e aplausos se tornam um veredito instantâneo e uma prévia do humor do eleitorado. Enquanto a bênção das baianas é um dos pontos altos da fé, a verdadeira “bênção” que os políticos buscam no trajeto é a da aprovação popular. O resultado desse teste de popularidade, embora não defina a eleição, oferece os primeiros e mais claros indícios sobre quem chega com mais força e quem precisará de mais “axé” para a longa caminhada até as urnas de outubro.


