
O Benin, na África Ocidental, está oferecendo um novo caminho para que pessoas de ascendência africana em todo o mundo obtenham a cidadania beninense por meio do programa My Afro Origins (Minhas Origens Afro), iniciativa que visa reconectar a diáspora com suas raízes e ampliar a presença internacional do país. A ação faz parte de um plano do presidente Patrice Talon para fortalecer a imagem do Benin globalmente e resgatar seu papel histórico, especialmente no contexto do tráfico transatlântico de escravizados, do qual o território foi um dos principais pontos de partida.
Entre os primeiros beneficiados está Isaline Attelly, criadora de conteúdo de 28 anos nascida na ilha caribenha da Martinica, que descobriu, por meio de registros genealógicos, que sua bisavó havia nascido no que hoje é o Benin antes de ser deportada durante o período da escravidão. A partir dessa confirmação, ela se inscreveu no programa e recebeu a cidadania em cerimônia realizada na cidade de Ouidah.
O programa prevê ainda projetos simbólicos e culturais, como a inauguração de uma Porta sem Retorno em Ouidah, ponto histórico associado à saída de milhões de africanos escravizados, e a construção de uma réplica de um navio do século XVIII utilizado no tráfico, além do desenvolvimento de um Museu Internacional da Memória e da Escravidão.
Para obter a nacionalidade beninense, os candidatos precisam demonstrar laços ancestrais com a África por meio de documentos genealógicos ou outros meios de comprovação. A iniciativa se insere em um movimento mais amplo de vários países africanos para oferecer cidadania à diáspora, incentivando vínculos culturais, históricos e econômicos com suas populações descentes de africanos escravizados.



