
Dados do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT) 2024, divulgado pelo Ministério da Previdência Social, mostram que a população negra foi responsável por 53% dos acidentes de trabalho registrados no Brasil em 2024, o equivalente a 417,6 mil ocorrências entre os 787,4 mil casos com informação de raça ou cor no ano. O relatório revela ainda que acidentes envolvendo trabalhadores pretos e pardos cresceram cerca de 16% em relação a 2023, enquanto o aumento entre trabalhadores brancos foi de aproximadamente 9,7%, evidenciando desigualdades raciais no ambiente laboral nacional.
Os números apontam que, entre os acidentes contabilizados, 347,1 mil envolveram trabalhadores pardos e 70,5 mil trabalhadores pretos, com menores proporções para outros grupos raciais. Há ainda quase 47 mil acidentes sem registro de raça/cor, totalizando 834,0 mil acidentes no país em 2024.
Com cerca 80% de sua população se autodeclarando negra (preta ou parda) de acordo dados do Censo 2022, na Bahia a exploração dessa desigualdade se soma a indicadores socioeconômicos que já mostram disparidades estruturais no mercado de trabalho local. Segundo dados oficiais recentes, os trabalhadores negros no estado enfrentam taxas de desocupação superiores às da população branca, maior informalidade e rendimentos mais baixos, desafios que impactam diretamente suas condições de trabalho e vulnerabilidade a acidentes.
A informalidade, por exemplo, tem peso significativo nas diferenças observadas: estudos indicam que trabalhadores negros, tanto homens quanto mulheres, estão mais presentes em ocupações sem carteira assinada, o que frequentemente está associado a menores garantias de saúde e segurança no trabalho, além de renda inferior à média dos trabalhadores não negros.
Especialistas apontam que essas desigualdades refletem impactos do racismo estrutural no mercado de trabalho, que limita escolhas ocupacionais e concentra a população negra em atividades com maior risco e menor proteção social.
Os dados do AEAT 2024 também indicam que o Brasil registrou um aumento de 10,6% no total de acidentes de trabalho de 2014 a 2024, sugerindo uma tendência de crescimento real das ocorrências, e não apenas um reflexo da ampliação da força de trabalho.
O relatório detalha ainda que acidentes de trajeto, ou seja ocorridos no deslocamento entre casa e trabalho, tiveram um crescimento expressivo, com alta de 17,8% em 2024 em relação a 2023, demonstrando múltiplas dimensões da vulnerabilidade dos trabalhadores diante de riscos laborais.


