
Em um dos momentos mais delicados da história política recente da Venezuela, Delcy Eloína Rodríguez Gómez tomou posse nesta segunda-feira (5) como presidente interina do país, em meio à crise desencadeada pelo sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, pelos Estados Unidos, ocorrido no último sábado (3).
A cerimônia de posse foi realizada na Assembleia Nacional, em Caracas, sob a condução do presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, irmão da nova chefe do Executivo. O ato contou com a presença de parlamentares eleitos em maio de 2025, embora tenha sido marcado pelo boicote de setores da oposição.
Com 56 anos, Delcy Rodríguez é uma das figuras mais influentes do chavismo, corrente política fundada por Hugo Chávez e mantida por Nicolás Maduro. Formada em Direito pela Universidade Central da Venezuela, com especialização em Direito Social e mestrado em Política Social, ela construiu uma longa trajetória no alto escalão do Estado venezuelano.
Antes de assumir a vice-presidência, em 2018, Rodríguez ocupou cargos estratégicos, como ministra das Relações Exteriores, chefe de gabinete da Presidência, presidente da Assembleia Nacional Constituinte e ministra do Petróleo. Sua atuação sempre esteve associada ao núcleo duro do governo e à articulação política com setores militares e econômicos alinhados ao chavismo.
A ascensão de Delcy Rodríguez à Presidência interina foi formalizada por decisão da Câmara Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que considerou o sequestro de Maduro uma “ausência forçada” do chefe de Estado, situação não prevista de forma explícita na Constituição venezuelana. Segundo o entendimento da Corte, a medida garante a continuidade administrativa e institucional do país diante do agravamento da crise.
O mandato interino foi estabelecido inicialmente por 90 dias, com possibilidade de prorrogação mediante decisão da Assembleia Nacional. A medida busca assegurar governabilidade enquanto se discutem os próximos passos políticos e diplomáticos do país.
No domingo (4), as Forças Armadas da Venezuela declararam apoio formal a Delcy Rodríguez, reconhecendo-a como autoridade máxima do Executivo em exercício. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, afirmou que a manutenção da ordem institucional é essencial para preservar a estabilidade interna diante do que classificou como uma agressão externa sem precedentes.
Em seu discurso de posse, a presidente interina afirmou assumir o cargo “com dor, mas com honra”, denunciou o sequestro de Nicolás Maduro como uma violação da soberania nacional e prometeu atuar em defesa da paz interna, da estabilidade econômica e da integridade territorial da Venezuela.




