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2026 chegando e ainda estamos aqui!

Gilberto Gil em apresentação da turnê “Tempo Rei” | Foto: Pedro Garavaglia/Veja SP

‘Ano novo chegando, após um ano velho cheio de emoções fortes e sustos imensos. Apesar dos tropeços, dos tarifaços, das ameaças, dos solavancos e das matanças em nome da segurança pública, a democracia brasileira vai se firmando e caminhando, como algo possível e viável.

No campo da cultura vivemos momentos históricos em 2025, a começar pela premiação inédita do filme “Ainda estou aqui”, com o Oscar de melhor filme internacional, tendo na Direção o impecável Walter Salles Jr e sendo estrelado pela talentosíssima Fernanda Torres.

Além do orgulho pela premiação, também nos sentimos com a alma lavada ao ver exposto mundo afora, os crimes e barbaridades cometidos pela ditadura militar que assolou o país durante 21 anos e que por ingenuidade ou maldade estava sendo cantada em prosa e verso como algo a ser revivido.

Já a Turnê “Tempo Rei”, do genial Gilberto Gil, nosso poeta, cantor e ex-ministro, além de representante mor de uma geração que fez da cultura sua grande bandeira civilizatória, encerrou o ano, na cidade de Salvador, ao mesmo tempo que Gil também encerra sua brilhante carreira nos palcos, de forma absolutamente bela e grandiosa.

Na vida política o país segue seus passos firmes na consolidação da democracia, apesar de uma parcela privilegiada da população (essa gente boa), insistir no autoritarismo, na exclusão e na violência como forma de exercício do poder.

Mas, em que pese as discriminações de todas as ordens: raciais, sociais, sexuais, de gênero, etc. que ainda estão vigente no país, a maioria da sociedade brasileira continua firme e forte na sua luta em defesa dos seus direitos, da sua dignidade e por dias melhores, particularmente no que diz respeito às mulheres, vítimas de feminicídios cada vez mais cruéis.

Mas, ainda assim – estamos aqui!

Ao que tudo indica, 2026 também não será fácil, e por isso mesmo, além dos nossos esforços pessoais, das nossas contribuições materiais e das nossas mobilizações sociais, será importante contarmos com o apoio dos nossos deuses, orixás, tupãs ou quaisquer outras formas de energias e de fé que acreditemos, para que elas nos livrem das maldades dessa gente boa.

Isso porque, no Brasil, “essa gente boa” frequentemente justifica a exclusão, apoia a morte simbólica ou física dos chamados indesejáveis (pretos e pobres) e defende a violência sem sujar as mãos, como se isso fosse um desígnio de Deus. Portanto, não custa nada pedir uma forcinha as nossas entidades superiores, para nos livrar da bondade dessa gente ruim.

“Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim”, como diria o poeta Chico César.

Por fim, é importante não pedir ao ano novo pressa nem perfeição, mas sim que ele nos permita, no nosso tempo, que possamos aprender a cuidar melhor daquilo que é o mais importante – a vida! (A nossa e a dos outros).

Daí que precisaremos a um só tempo ter coragem para continuar na lida, desapego para liberar o que não nos serve mais e esperança para acreditar nas palavras do poeta, quando ele afirma: “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”.

Sem esquecer que o racismo mais perigoso não grita, sorri; não se assume, se justifica; não se vê como violência, se chama de ordem; não se reconhece como racista, se chama de gente boa.

Viva 2026 e Toca a zabumba que a terra é nossa!

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