
A Polícia Federal cumpriu na manhã deste sábado (27/12) um mandado de prisão domiciliar contra Filipe Martins, ex-assessor para assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que havia sido condenado no âmbito da chamada trama golpista. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e executada na residência de Martins em Ponta Grossa (PR), onde ele agora deve cumprir prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.
Martins foi condenado no dia 16 de dezembro pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão, por sua atuação no chamado núcleo 2 da trama golpista — acusado de participar da elaboração da minuta de golpe de Estado no final do governo Bolsonaro. A condenação integra um conjunto de processos que apuram ações consideradas ilegais contra a ordem democrática após as eleições de 2022.
A decisão de Moraes ocorreu no contexto de uma operação mais ampla da PF que cumpre dez mandados de prisão domiciliar contra réus condenados nos núcleos 2, 3 e 4 da trama, um dia após a prisão do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, no Paraguai, onde foi detido ao tentar deixar o país com documentos falsos. A medida busca evitar novas tentativas de fuga e reforçar o cumprimento das decisões judiciais.
A defesa de Filipe Martins, representada pelo advogado Jeffrey Chiquini, criticou a determinação em redes sociais, classificando-a como “absurda” e argumentando que Martins vinha cumprindo medidas cautelares de forma exemplar. Os advogados também afirmaram que irão recorrer da decisão.
Essas ações judiciais e operacionais refletem a continuidade do enfrentamento judicial às tentativas de ruptura institucional que marcaram o período pós-eleitoral de 2022, com réus de diferentes perfis sendo alvo de condenações e ordens de prisão no país.
A trama golpista ainda é objeto de análises e desdobramentos judiciais no STF, com a corte tendo condenado vários envolvidos por crimes relacionados à tentativa de golpe e organização criminosa.



