Equipamento, gerido em parceria por Estado e Município, é apontado como fator na redução de feminicídios e se consolida como referência no acolhimento a vítimas de violência.

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A Casa da Mulher Brasileira (CMB), em Salvador, completou dois anos de funcionamento nesta sexta-feira (19) como um pilar fundamental no enfrentamento à violência de gênero. Localizado na Avenida Tancredo Neves, o equipamento funciona 24 horas por dia e, neste período, já realizou 28.709 atendimentos a mulheres vítimas de diversos tipos de violência, segundo dados da Prefeitura, e alcançou aproximadamente 13 mil mulheres, de acordo com o balanço do Estado.
Os números revelam um cenário complexo. A violência psicológica foi a mais recorrente, presente em 64,7% dos casos, seguida pela violência moral (50,8%) e física (35,6%). Ao todo, 16.276 atendimentos resultaram em encaminhamentos para a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), e 3.614 medidas protetivas foram expedidas. O perfil da maioria das vítimas atendidas é de mulheres que se autodeclaram pretas e pardas (87,8%).
Para a secretária de Políticas para as Mulheres do Estado, Neusa Cadore, o trabalho integrado tem gerado resultados diretos na segurança. “Temos números oficiais mostrando que, em 2024, houve uma redução de 55% no número de feminicídios na capital e na Região Metropolitana. Acreditamos que o funcionamento da Casa da Mulher Brasileira pode ter uma relação direta neste contexto”, afirmou, anunciando a intenção de expandir o modelo. “Estamos trabalhando junto ao Ministério das Mulheres para a instalação de mais três Casas da Mulher Brasileira, na Bahia”.
A gestão do equipamento é compartilhada entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Salvador, sob um convênio com o Governo Federal. Fernanda Lordêlo, secretária de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) do município, ressaltou que os dados, embora alarmantes, mostram que o silêncio está sendo rompido. “Esses dois anos não representam comemoração, mas responsabilidade. Os números revelam que a violência existe, mas também mostram que mais mulheres estão acessando uma rede de acolhimento integrada, humanizada e contínua, que hoje é referência nacional”, declarou.
Estrutura completa em um só lugar
O principal diferencial da CMB é oferecer um atendimento multidisciplinar centralizado, evitando que a vítima precise se deslocar entre diferentes órgãos. O espaço reúne serviços do:
- Tribunal de Justiça (5ª Vara de Violência Doméstica);
- Ministério Público;
- Defensoria Pública;
- Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam);
- Batalhão de Proteção à Mulher Maria da Penha.
Além do suporte jurídico e policial, a Casa oferece acolhimento psicossocial, assistência em saúde, um abrigo temporário com 16 vagas para mulheres e seus filhos, e uma brinquedoteca, consolidando-se não apenas como um centro de denúncia, mas como um espaço de reconstrução.


