A programação segue até amanhã (12) no Centro Histórico de Salvador
Entre os dias 10 e 12 de dezembro, o Resistência Criativa 2025 acontece em Salvador reunindo juventudes negras de diferentes territórios para três dias de criação, formação, diálogo e celebração no centro histórico de Salvador. Em sua nova edição, o evento reafirma o compromisso do CRIA – Centro de Referência Integral de Adolescentes com práticas artísticas, políticas e pedagógicas que fortalecem a democracia a partir do corpo, da memória e da ação coletiva.

Com o tema “Democracia: Juventudes em Movimentos”, o Resistência Criativa provoca uma reflexão urgente sobre o cenário atual. Em um país onde a democracia segue ameaçada para muitas populações, o evento destaca o protagonismo de juventudes negras, periféricas, LGBTQIAPN+, de terreiros, do Recôncavo, comunitárias e artísticas que continuam movendo estruturas com a força de suas histórias, saberes e modos de criar o mundo.
Falar em juventudes, no plural, é reconhecer múltiplas trajetórias que resistem ao silenciamento e constroem, em movimento, novas possibilidades de vida e futuro. São jovens que transformam a democracia em prática cotidiana, como corpo vivo, voz que ecoa e gesto que inventa caminhos.
Espaço de circularidade e criação, o Resistência Criativa organiza sua programação em rodas, oficinas, encontros e apresentações artísticas que evidenciam a dinâmica não linear das juventudes: um movimento de retornos, recomeços e renascimentos que sustenta nossa resistência histórica.
Programação:
Ao longo dos três dias, o evento se expande em diversas linguagens e atividades:
Oficinas de dança ancestral, música, escrevivências, teatro étnico-matemático, berimbau e samba de roda, promovendo saberes comunitários e práticas de resistência cultural;
Exibição do filme Café, Pépi e Limão, seguida de bate-papo com elenco, direção e equipe;
Rodas de conversa sobre cultura, juventudes, ancestralidade, políticas públicas e os impactos da COVID-19 nos territórios;
Lançamento do 1º Boletim do Observatório Até Quando? — “Nosso Chão, Nossas Palavras”, com mesas sobre dados, segurança pública, cidadania, territórios e a atuação das juventudes negras na reconstrução democrática;
Shows e apresentações artísticas, celebrando a arte como linguagem política e afirmação da vida.
Feira de Economia CRIAtiva

Pela primeira vez, o evento recebe a Feira de Economia CRIAtiva, espaço de exposição e comercialização de produtos e serviços como artesanato, moda afro, cosméticos naturais, gastronomia ancestral, literatura negra, arte urbana e outras expressões da criatividade negra.
A Feira nasce do desejo de fortalecer iniciativas econômicas da juventude negra do CRIA, reconhecendo o quilombo como símbolo de resistência frente às estruturas coloniais e racistas que historicamente negaram a presença negra nos espaços de produção e renda. Inspirada na economia aquilombada e em princípios de solidariedade, cooperação, autogestão e saberes ancestrais, a feira tensiona modelos tradicionais e propõe novas formas de existir, criar e gerar renda baseadas no etnodesenvolvimento e nas redes de afeto e coletividade.
Sobre o Resistência Criativa
O Resistência Criativa 2025 reafirma a democracia como direito e como prática cotidiana. Reafirma que, se para algumas populações ela sempre foi ameaçada, essas mesmas populações sempre souberam resistir criando, dançando, educando, cantando, pesquisando, denunciando e reinaugurando possibilidades onde antes havia ausência de políticas e presença de violências.
Porque, se ainda é preciso reexistir, que seja em roda, em coletivo e em movimento fazendo da arte instrumento de liberdade e da juventude negra um território vivo de transformação.
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