
Esta semana, apareceu em uma das minhas redes sociais uma postagem que dizia que “a nova elite do Brasil não é rica, é endividada”. O autor defendia a ideia de que a população brasileira vive melhor nas redes sociais do que na vida real.
À primeira vista, confesso que não vi nada demais. Em outra ocasião, já havia escrito sobre nossa tendência de mostrar nas redes apenas os recortes de alegria e conquista, nunca os desafios do dia a dia ou o malabarismo necessário para fechar as contas no fim do mês.
Mas, seguindo a leitura, minhas orelhas começaram a ficar de pé. O autor começava a direcionar a narrativa para a percepção de que essa ação pontual de “parecer rico” nas redes se transformou em um comportamento de massa, evoluindo rapidamente para um estilo de vida. Uma forma de viver em que parecer ser alguma coisa ou alguém se tornou mais urgente e importante do que ser, de fato, você mesmo. Nesse momento, a preocupação me atravessou de verdade, e comecei a imaginar como seria a vida no futuro.
Mesmo sem querer ter pensamentos pessimistas, não consegui evitar refletir sobre o que estamos construindo enquanto sociedade. Hoje, muitas pessoas deixaram de se preocupar com a formação de uma reserva financeira, com a aquisição de patrimônio ou até com o simples fato de que um dia envelhecerão e precisarão de recursos para garantir o mínimo de qualidade de vida. Em vez disso, optam por investir tudo que produzem em uma fantasia: uma vida “fake”, mantida apenas para mostrar aos outros nas redes sociais, algo cada vez mais distante do que de fato vivem.
E aí, já viu: uma população pouco preocupada com o futuro, produzindo cada vez menos riqueza, contraindo mais crédito para financiar a fantasia e se endividando em níveis nunca antes vistos na nossa economia.
Como a vida nessa selva não é para amadores, a indústria do consumo rapidamente captou essa mudança de comportamento da massa trabalhadora e passou a direcionar suas estratégias para fortalecer a ideia de que você é aquilo que o outro enxerga. E que você não precisa ter dinheiro para sustentar esse estilo de vida, basta ter crédito.
A questão é que crédito não é dinheiro de verdade. E, assim, seguimos alimentando a formação de uma bolha econômica que cresce cada vez mais rápido e que, inevitavelmente, vai estourar por falta de liquidez. Quando isso acontecer, na minha opinião, viveremos um momento muito triste como sociedade.
Teremos um cenário em que boa parte da população estará irremediavelmente empobrecida, endividada e submetida a trabalhos cada vez mais degradantes e menos remunerados. Ao mesmo tempo, haverá um pequeno grupo que entendeu o jogo: a importância de acumular, planejar e agir com lucidez. Esse grupo poderá, entre outras coisas, escolher entre ajudar quem estiver afundado ou aproveitar ao máximo a disponibilidade de uma força de trabalho barata e abundante.
Entende agora por que fiquei tão preocupado?
Então, meus filhotes, vocês que ainda têm a oportunidade de escolher entre uma vida de ostentação e ilusão ou uma vida real e previdente: o que vão decidir? Ter um futuro submetido à exploração máxima da energia humana ou uma vida segura, organizada e sem sustos? A escolha é de vocês, e precisa ser feita hoje.
Para finalizar, deixo mais uma vez um trecho da postagem, que diz uma grande verdade:
“Hoje, o verdadeiro luxo não é ter as coisas, é ter paz financeira.”
Um forte abraço e que venham boas escolhas para os próximos ciclos.



Concordo, vivemos um momento histórico de transição e preocupante, pois a cada dia diminui a busca pela compreensão aprofundada e aumenta a procura pelo imediatismo.
No Ceep Isaías Alves (ICEIA) em 2023 um grupo de estudantes fez um TCC com essa abordagem dentro de uma perspectiva sobre parecer ser ultra estudante. Neste ano (2025) outro TCC abordou o tema para refletir sobre os impactos das redes sociais na dimensão da realidade às pessoas com o recorte da comunidade ICEIA.
A Internet é o meio de comunicação que expande a ideia de aproximação entre o imaginário e o possível. Soma-se às técnicas de Marketing e Comunicação para gerar uma zona de conforto que produz essa falsa realidade sem constrangimento moral.
Num país bem desigual socioeconomicamente como o Brasil, o risco, como verificado nos TCCs é, para uma parte de usuários, tornar-se uma vida paralela, como traz a matéria.
Infelizmente o postar passou a ser mais importante do que viver. O engajamento é a aprovação que buscam, não importa para alguns seus valores ou ética, desde que gere movimentação na rede… Fato ou fake… Parece que o que importa é engajar