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“O trabalho do Zumví é uma contranarrativa: o negro sorri”, comenta Luedji Luna, que assina curadoria da exposição dos 35 anos do Arquivo Afro Fotográfico

Foto: Henrique Falci

A cantora e compositora Luedji Luna é uma das curadoras da exposição que marca os 35 anos do Zumví Arquivo Afro Fotográfico, celebrando a história negra por meio de fotografias, memória e arte. A mostra inaugura a nova sede do Zumví no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, e combina exibição, debates e encontros com o público.

O convite para assumir a curadoria partiu de José Carlos, membro do Zumví. “Na medida em que passei a colecionar arte, tenho me interessado cada vez mais em transitar nesses espaços e colaborar com as artes visuais na medida do possível. O convite chega no momento oportuno”, diz Luedji. Esse diálogo entre sua carreira musical e o universo visual reflete seu compromisso com a cultura negra de Salvador.

Ela destaca que o ponto de partida da curadoria veio graças ao próprio Lázaro Roberto, fundador do arquivo. “Ele fez uma pré-seleção das fotografias, isso facilitou muito o processo, pois o acervo é rico e numeroso. Meu trabalho foi apenas complementar”. A seleção resultou em um panorama fotográfico denso, capaz de dialogar diretamente com a sua visão artística.

Luedji vê uma ponte clara entre sua música e as imagens escolhidas: “Acredito que meu trabalho artístico é fundamentalmente baiano, mas também é mundo. É a África espraiada no mundo através da diáspora. Eu enxergo assim minha música e enxergo assim as fotografias selecionadas. É Salvador, mas poderia ser Lagos, mas poderia ser o Harlem na década de 70”.

Foto: Henrique Falci

O mergulho no acervo do Zumví causou forte impacto emocional na artista. “Me impactou a poesia fotográfica. São imagens não somente esteticamente bonitas, mas que retratam a beleza negra em seus diferentes contextos: na luta, na dança, na expressão religiosa, no cabelo… O trabalho do Zumví é uma contranarrativa: o negro sorri.” Para ela, essa representação simbólica é uma afirmação poderosa.

A respeito das necessidades urgentes da narrativa negra no presente, Luedji afirma: “Infelizmente, nossas urgências seguem as mesmas, porque o projeto político de apagamento material e simbólico do povo preto segue em curso. Por essa razão o trabalho do Zumví é tão atual e necessário, e precisa ganhar uma dimensão nacional e internacional”.

A nova casa do Zumví, no Rio Vermelho, é tratada por Luedji como um território de futuro. “Eu gosto muito da concepção da palavra afrofuturismo como sendo a possibilidade de pensar o negro no futuro, num contexto onde nem o nosso presente está garantido pelo Estado. Esse espaço que o Zumví está propondo é a garantia desse afro-futuro tal qual imaginamos, a partir do que sonhamos e do nosso olhar”.

A programação de 35 anos do Zumví Arquivo Afro Fotográfico inclui debates no Pelourinho, rodas de conversa na nova sede e encontros públicos sobre curadoria, tecnologia cultural e sustentabilidade do arquivo. Confira clicando aqui.

A celebração mostra que o Zumví não é apenas um repositório de memória, mas também um espaço ativo para pensar políticas culturais, educação, arte e o lugar da comunidade negra no Brasil contemporâneo.

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