
Brasília recebe, nesta terça-feira (25), a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, que deve reunir milhares de participantes de todos os estados e também de diversos países. O ato, considerado a maior mobilização de mulheres negras da década, reforça o tema “Reparação e Bem Viver” e marca uma semana inteira de atividades dedicadas ao combate ao racismo, à defesa de direitos e à celebração da ancestralidade.
A concentração começa às 8h30, no Museu Nacional, no Setor Cultural Sul. De lá, as participantes seguem em caminhada até o Congresso Nacional. A mobilização integra a “Semana por Reparação e Bem Viver”, iniciada em 20 de novembro, com oficinas, rodas de conversa, atividades culturais e encontros entre lideranças do movimento negro.
O conceito de bem viver inspira grande parte das organizações que constroem a marcha. Ele expressa a busca por uma sociedade orientada pelo cuidado, pela coletividade e pela justiça social, valores que, segundo as organizadoras, colocam as mulheres negras no centro das políticas públicas. Já a reparação é entendida como a retomada de dignidade e direitos negados ao longo da história. Em nota, os movimentos afirmam: “Marchamos por nossas avós, nossas mães, por nós e por elas, as meninas negras.”
Entre as entidades que articulam a mobilização está o Odara – Instituto da Mulher Negra, organização baiana que tem sido um dos pilares da agenda nacional de enfrentamento ao racismo e defesa da autonomia das mulheres negras. O instituto participa da construção política da marcha desde sua primeira edição, reforçando a importância da organização coletiva para tornar visíveis as desigualdades e reivindicar mudanças estruturais.
Caravanas de todos os estados já começaram a chegar à capital federal, assim como delegações de cerca de 30 países. A expectativa é de uma marcha plural, que reúna quilombolas, pescadoras, trabalhadoras urbanas, jovens, ativistas LGBTQIA+, acadêmicas, artistas e lideranças comunitárias. Todas unidas pelo chamado que ecoa desde 2015: “Enquanto uma mulher negra estiver em marcha, nenhuma estará só.”
A estrutura montada para o evento inclui alojamentos, equipes de saúde, pontos de alimentação e apoio logístico às viajantes, inclusive na Granja do Torto. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) fará cobertura especial, com transmissões ao vivo, reportagens e conteúdos exclusivos nas TVs, rádios e plataformas digitais.
O SINPAF, assim como outros sindicatos e movimentos sociais, também confirmou presença, convocando filiadas e aliados para reforçar o ato no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.
Marcada pelos tambores, pelas cores e pela força de suas vozes, a Marcha das Mulheres Negras de 2025 pretende reafirmar seu caráter histórico: um chamado coletivo por justiça, memória e futuro, um Brasil reconstruído a partir da reparação e do bem viver.


