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Portal UMBU

“Com racismo não tem jogo”: uma grande mentira

Foto: CBFTV/Reprodução

O mote acima faz parte de uma campanha liderada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), desde o ano de 2023, com objetivo de combater o crime de racismo no futebol brasileiro, tendo em vista o aumento significativo das denúncias de racismo no esporte mais popular do Brasil.

Até aí nenhuma novidade.

A campanha parecia ser coisa séria, um dos maiores jogadores de futebol do mundo, Vinicius Júnior, é brasileiro e tem liderado e combatido duramente o racismo na Espanha e obtido vitórias importantes, em que pese a resistência dos dirigentes europeus.

Daí fui assistir a mesa – Além das Quatro Linhas – Racismo no Esporte em Campo Aberto, no evento Encontros Negros 2025, realizado pelo Portal Umbu. Lá estavam especialistas como Tiago Reis (baiano) e Marcos Valentim (Rede Globo), além da mediadora Marina Aragão.
Sai do debate absolutamente frustrado com as informações e denúncias feitas pelos debatedores e com plena convicção de que essa campanha da CBF é uma grande mentira.

A famosa lei para inglês ver!

Segundo os debatedores há uma verdadeira engrenagem racista no entorno do futebol, onde torcedores, dirigentes de clubes, empresários e empresas lucram, e muito, com o racismo nas quatro linhas. Melhor dizendo, além dos privilégios que o racismo produz desde sempre, no caso do futebol também produz muito lucro.

É a catarse criminosa dos estádios de futebol enchendo os bolsos de criminosos – racistas.

A prova mais evidente dessa farsa é a punição sofrida pelo jogador negro Paulo Vitor (10 jogos de suspensão), por ter reagido com um soco, após ser agredido pelo jogador criminoso Diego (branco), que o chamou de “macaco”, no jogo entre Nacional/PR e Batel, pelo campeonato paranaense, no último dia 04 de outubro.

A reação do jogador Paulo Vitor diz bem do estrago que o racismo provoca e ele não deixou por menos:

“Quero deixar minha indignação com o ocorrido do último jogo que fui vítima de racismo, não sou a favor da violência mas parece q só assim eles sentem na pele. Quem é da cor vai entender minha reação, espero que a justiça seja feita e que casos como esse não só no futebol sejam resolvidos e não julgados como vitimismo ou algo do tipo. Fogo nos racistas”

Mas a postura do Tribunal de Justiça do Paraná é que foi mais surpreendente ainda. Diria mesmo criminosa, pois na prática avalizou o ato racista do jogador criminoso.

Parece mentira mas é verdade!

O jogador que cometeu o crime inafiançável e imprescritível, conforme prevê a Constituição Federal e sujeito à pena de reclusão, como determina a Lei nº 7.716/89, teve uma punição de apenas 6 jogos.

Ou seja, para o Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná, o crime de racismo tem menor potencial ofensivo que um soco. E lamentavelmente a CBF não abriu a boca. É como se esse absurdo racista não lhe dissesse respeito. Por isso que repito, essa campanha de que “com racismo não jogo” é uma farsa.

É o que chamamos de “moral de jegue”, expressão popular muito usada aqui na Bahia para pessoas estúpidas, desleais e fingidas. No caso em tela, esse julgamento do TJD/PR revela o quanto o racismo está internalizado na sociedade brasileira.

Portanto, essa pauta de combate ao racismo nos estádios de futebol, precisa, urgentemente, fazer parte da agenda política do movimento negro. Não dá pra continuar fingindo, como vem fazendo a CBF.

Toca a zabumba que a terra é nossa!

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