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Maioria feminina e 47% no setor de serviços: pesquisa revela retrato do afroempreendedor na Bahia

Foto: Freepik

A terceira edição da pesquisa Propósito dos Afroempreendedores Baianos, realizada pelo Sebrae Bahia, apresenta um retrato atualizado de quem são os empreendedores negros atendidos pela instituição no estado e como eles têm estruturado seus negócios. O levantamento foi conduzido entre 29 de julho e 29 de agosto de 2025 e reuniu respostas de 354 participantes.

O estudo mostra que as mulheres seguem liderando o afroempreendedorismo na Bahia, representando 66% dos entrevistados. A maior parte deles está na faixa entre 35 e 44 anos. Em relação à escolaridade, 55% concluíram o ensino médio e 23% possuem ensino superior completo. A formalização aparece como prática crescente, já que 43% atuam como Microempreendedores Individuais e outros 14% mantêm microempresas, enquanto 33% ainda trabalham de maneira informal.

Os negócios conduzidos por pessoas negras estão concentrados principalmente no setor de serviços, que reúne 47% das atividades. O levantamento também indica que a renda mensal dos afroempreendedores permanece baixa, pois 28% ganham entre um e dois salários mínimos e outros grupos se distribuem em faixas ainda inferiores. Além disso, 62% não possuem funcionários, o que evidencia operações enxutas e autogeridas.

A pesquisa revela que a busca por autonomia continua sendo o principal motor do afroempreendedorismo. O motivo aparece citado por 69% dos participantes. Em seguida aparecem o desenvolvimento pessoal e profissional, com 40%, e a necessidade de sobrevivência, mencionada por 38%. Quando questionados sobre os principais obstáculos na abertura de seus negócios, muitos apontam a dificuldade para torná-los rentáveis e o acesso limitado a recursos financeiros, além da pouca oferta de investimentos.

Outro dado importante do estudo é o desconhecimento sobre o conceito de “black money”, que ainda não é familiar a 33% dos empreendedores. Entre aqueles que conhecem a expressão, a maioria avalia de forma positiva a ideia de fortalecer economicamente a comunidade negra. A pesquisa também registra opiniões divergentes, com alguns entrevistados defendendo abordagens universalistas e afirmando que políticas específicas por raça não deveriam ser adotadas.

O uso de plataformas digitais permanece como um dos pilares de vendas, e o WhatsApp é o canal mais utilizado, escolhido por 43% dos afroempreendedores. Pix e cartão de crédito são citados como as principais formas de pagamento. Na busca por capacitação e suporte, o Sebrae aparece como a instituição mais procurada, seguido por cursos de formação e redes de empreendedorismo.

A análise qualitativa, baseada nas respostas abertas, indica que o fortalecimento do afroempreendedorismo depende especialmente da ampliação do acesso ao crédito em condições justas, do aumento de oportunidades de capacitação e educação financeira e da consolidação de redes e parcerias que apoiem o crescimento dos negócios. Outras demandas frequentes envolvem maior visibilidade para empreendedores negros, políticas públicas específicas e esforços para enfrentar desigualdades estruturais e o racismo ainda identificado como barreira recorrente.

O levantamento integra o Programa Nacional Plural, estratégia do Sebrae que promove diversidade e inclusão no ambiente de negócios. Os resultados da pesquisa devem orientar ações futuras do Sebrae Bahia e de instituições parceiras, reforçando a importância dos afroempreendedores na economia do estado e destacando a força e a resiliência desse segmento, que segue impulsionado por propósito e pela vontade de transformar realidades.

>> Leia a pesquisa na íntegra clicando aqui

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