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Evento celebra 20 anos da Política de Saúde da População Negra em Salvador

II Mostra de Boas Práticas, parte do Salvador Capital Afro, destaca avanços e reafirma o compromisso da capital com a equidade racial no atendimento à saúde

Foto: Otávio Santos

Em comemoração aos 20 anos de implementação da Política de Saúde da População Negra, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) promoveu, nesta quarta-feira (12), a II Mostra de Boas Práticas em Saúde da População Negra de Salvador. O evento, realizado na Escola de Saúde Pública, reuniu profissionais para compartilhar experiências e debater os avanços na área.

Cuidado na prática e acolhimento

Uma das experiências de sucesso apresentadas foi a da Unidade de Saúde da Família (USF) Calabetão, que promoveu um evento voltado para mulheres negras da comunidade com oficinas, rodas de conversa e práticas terapêuticas.

“Convidamos um morador formado em dança pela Ufba, que fez uma oficina de turbantes e participou de uma troca muito interessante de conhecimento. As mulheres foram maquiadas, tiraram fotos e sentimos que elas conseguiram se ver. Foi uma ação que trouxe para perto as mulheres negras da comunidade”, relatou Anna Beatriz Ribeiro, cirurgiã dentista da unidade.

Mapeamento e foco nas populações vulnerabilizadas

Outro trabalho de destaque foi o mapeamento da população em situação de rua do Distrito Sanitário Cabula/Beiru, que buscou dar visibilidade a esse grupo. “É um tema extremamente pertinente, pois sabemos que 94% da população em situação de rua é formada por pessoas negras”, pontuou a subcoordenadora em Cuidados Transversais em Saúde, Djara Mahim.

O objetivo, segundo Ana Paula Andrade, uma das autoras, é garantir o cumprimento de políticas públicas. “Nós pretendemos apresentar esse mapeamento também aos profissionais do distrito e realizar um mapa vivo, com atualização constante dos dados”, apontou.

Duas décadas de pioneirismo e conquistas

A trajetória da política em Salvador é marcada pelo pioneirismo. Um grupo de trabalho sobre o tema foi criado em 2005, antes mesmo da instituição da política nacional, em 2009, e serviu de referência para o país.

“Nos foi solicitado um diagnóstico para justificar a implantação de uma política de saúde para a população negra, em um período no qual ainda não havia uma diretriz nacional”, lembrou Cândida Queiroz, uma das fundadoras do grupo.

Nas últimas duas décadas, Salvador avançou com ações como a descentralização do cuidado da Doença Falciforme e a implantação do Programa de Combate ao Racismo Institucional. Para Joana Carvalho, técnica da área, a mostra de boas práticas é uma forma de legitimar essas ações. “É uma forma de trocar experiências, na qual uma equipe pode ver o que a outra está fazendo e ter repertório de ação. É um reconhecimento importante para a melhoria da qualidade da saúde que prestamos”, concluiu.

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