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Encontros Negros 2025 abre programação com reflexões sobre resistência, narrativas e representatividade

Foto: Marcella Figueiredo

O primeiro dia do Encontros Negros 2025 – Salvador aconteceu nesta quinta-feira (6), no Cineteatro 2 de Julho, com duas mesas que reafirmaram o compromisso do projeto em promover o pensamento negro contemporâneo e fortalecer o diálogo entre cultura, comunicação e cidadania. Com público diverso e presença marcante de estudantes de escolas públicas, o evento mostrou, desde as primeiras falas, a força das vozes que constroem o presente e o futuro da negritude brasileira.

A Mesa 1 – “Sinfonia Preta: Ecos de Resistência e Existência”, reuniu MV Bill e Kmila CDD, com mediação de Beatriz Almeida. Entre trocas potentes sobre trajetórias e referências, MV Bill destacou o papel dos homens na luta feminina e antirracista. “O Encontros Negros, em Salvador, é muito significativo porque permite que a gente se conecte, compartilhe experiências e fortaleça o coletivo. Estou muito feliz de estar nessa primeira mesa, falando sobre história, estudo e respeito — pilares que moldaram minha caminhada”. O artista também celebrou o protagonismo feminino no rap: “Sou entusiasta das mulheres fazendo rap. Tenho ídolas americanas, brasileiras e admiro o tipo de tema que só uma mulher pode trazer nas letras. Nada como a própria mulher falando por ela mesma”. A conversa trouxe ainda reflexões sobre o poder da educação e o papel das referências negras na formação pessoal e social.

Na Mesa 2 – “Comunicar é Reivindicar: Vozes Negras e o Poder da Narrativa”, Raoni Oliveira e Jéssica Almeida, mediados por Midiã Noelle, debateram o impacto da comunicação e da representatividade nas disputas simbólicas do país. Raoni destacou que o compromisso com a visibilidade negra precisa se manter vivo o ano inteiro: “Falar de representatividade não é um assunto só de novembro. É sobre transformar narrativas, ampliar acesso e garantir que nossas vozes continuem ecoando em todos os espaços”.

A sócia-diretora da Umbu Comunicação & Cultura, Camilla França, reforçou a importância do projeto, que está na 4ª edição: “Eventos como o Encontros Negros são fundamentais para reafirmar nossa potência coletiva e fortalecer o sentimento de pertencimento. É muito simbólico ver estudantes, artistas e pesquisadores compartilhando o mesmo espaço, construindo pontes entre gerações e saberes. Representatividade também é isso: ver e ser visto, trocar e aprender”.

Entre o público, Thaina Iúbi, estudante do 3º ano do Colégio Estadual Mário Costa Neto, destacou o impacto da experiência. “Esse projeto tem alta relevância. Há alguns anos, era impensável um encontro como esse acontecer. As pessoas negras, principalmente das periferias, eram muito marginalizadas. Hoje, estar aqui, vendo personalidades negras falando e sendo ouvidas, é muito importante. Isso mostra para jovens como eu que podemos ocupar lugares de destaque e pertencimento”.

Foto: Marcella Figueiredo

O evento segue nesta sexta-feira (7), com mais dois encontros. Às 14h, acontece a mesa “Além das Quatro Linhas – Racismo no Esporte em Campo Aberto”, com Tiago Reis e Marcos Valentim, mediados por Marina Aragão. E às 16h, a mesa “Os Negros, a Mídia, o Consumo e a Riqueza no Brasil”, com o antropólogo Michel Alcoforado e mediação da jornalista Cleidiana Ramos.

O Encontros Negros 2025 é uma realização da Umbu Comunicação & Cultura, com apoio da ABMP, Livraria LDM, Nova Imagem Digital e do Governo do Estado da Bahia, por meio de parceria com o IRDEB.

Sobre o Encontros Negros

O Encontros Negros de 2025 reafirma seu caráter afirmativo e colaborativo, com curadoria de protagonismo negro, paridade de gênero e contratações locais, fortalecendo a economia criativa da cidade. Realizar o Encontros Negros em Salvador, cidade símbolo da ancestralidade afro-diaspórica, é também fomentar o afroturismo e a economia criativa local.

O projeto, que já aconteceu na  Casa do Benin, no Museu Ferrão e na Biblioteca Central do Estado da Bahia, reuniu um público de mais de 1.000 pessoas, com a participação de nomes de destaque como Djamila Ribeiro, Elisa Lucinda, Quito Ribeiro, Amanda Tropicana, Pierre Onassis, Tiago Banha Ryane Leão,  Lívia Natália , Geo Nunes e Amanda Henrique, Edilene Alves, Igor DSN, Anderson Shon, A Dama, André Santana, Luana Souza, Tom Correia e Nina Santos. Ao longo desses encontros, artistas, pesquisadores e comunicadores dialogaram sobre cultura, identidade, ancestralidade e cidadania, contribuindo para a construção de referências positivas e para o fortalecimento da cena intelectual negra brasileira.

“O Encontros Negros nasceu da necessidade de criar um espaço onde o pensamento negro pudesse ocupar o centro do debate, ser ouvido e valorizado. Cada edição é uma oportunidade de dialogar sobre cultura, ancestralidade, identidade e cidadania, mas também de transformar essas discussões em ações concretas no estado. Queremos que o evento vá além das mesas de debate: que inspire jovens, fortaleça redes de conhecimento e contribua para a construção de uma sociedade mais justa, plural e representativa. Para nós, cada encontro é também um legado, uma maneira de celebrar as vozes negras que moldam o presente e projetam o futuro”, afirma Camilla França, sócia-diretora da Umbu Comunicação & Cultura.

Reforçando essa perspectiva, Mirtes Santa Rosa, também sócia-diretora da Umbu Comunicação & Cultura, salienta que o projeto é um ato contínuo de resistência e afirmação: “O Encontros Negros é mais do que um evento,  é um gesto político, afetivo de valorização de todo legado de construção do nosso país. É sobre ocupar espaços de poder  com o nosso pensamento, vozes e formas de existir. A cada edição, reafirmamos que a intelectualidade negra não está à margem, mas no centro da criação de novas referências e de uma nova narrativa para o Brasil. É uma celebração da potência coletiva que guia as construções negras e reverbera por territórios, corpos e ideias em constante movimento”.

Sobre o projeto

O Encontros Negros é uma realização da Umbu Comunicação & Cultura e conta com o apoio da  Associação Baiana do Mercado Publicitário (ABMP), da Livraria LDM, da Imagem Digital, do Bloco Alvorada, da produtora DMTZ e do Governo do Estado da Bahia, por meio da parceria com o IRDEB. Desde sua primeira edição, o evento atua como uma plataforma de valorização da intelectualidade negra, promovendo diálogos entre arte, pensamento e sociedade, e consolidando Salvador como território de produção e difusão do pensamento negro brasileiro.

Serviço:

O quê: Encontros Negros 2025

Onde: Cineteatro 2 de Julho – Salvador
Quando: 06 e 07 de novembro de 2025
Entrada gratuita – ingressos pelo Sympla

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