
Novembro mal chegou e Salvador já está com o calendário cultural a mil! A mistura entre a ansiedade pelo verão e a energia dos movimentos antirracistas que animam o Novembro Negro e o Salvador Capital Afro virou combustível para uma agenda intensa. Desde o primeiro dia do mês, os soteropolitanos não têm — felizmente — um minuto de paz.
Logo no dia 1º, a Praça Terreiro de Jesus, no Pelourinho, virou passarela. A edição 2025 do Afro Fashion Day, que abriu oficialmente o novembro, reuniu cerca de 80 modelos em uma passarela de 75 metros para mostrar a força da moda afro. Foram dez horas de programação gratuita, com Ilê Aiyê abrindo os trabalhos, performances de pagodão e dancehall e um desfile dividido em blocos que celebravam ancestralidade, inovação e autocuidado. Criado em 2015, o evento se consolidou como vitrine para designers e modelos negros de todo o país.
No domingo, nem o clima de Dia de Finados esfriou a vibração tricolor. A Arena Fonte Nova virou um caldeirão: diante de uma multidão, o Bahia buscou a virada sobre o Bragantino com gols nos acréscimos. Teve reza, teve sofrimento e teve catarse — o roteiro perfeito para quem ama uma emoção extra.

Segunda-feira (3), com a garganta ainda rouca, o povo trocou estádio por praia. O Porto da Barra foi tomado por fãs, curiosos e banhistas que acompanharam a gravação de “Diggo na Praia”. Em clima de pagode ensolarado, o cantor apresentou faixas inéditas, homenageou o Exaltasamba e dividiu o microfone com Noelson do Cavaco e Dan Ferreira. Teve tanta gente na areia que quem buscava sossego precisou achar outro pedaço de mar.
Na terça (4), Salvador mostrou que é possível misturar cinema de art‑house com pagode sem perder a classe. A pré‑estreia de “O Agente Secreto” tomou conta do Cine Glauber Rocha – espaço cult de Salvador, localizado numa área que leva o nome de um dos poetas baianos mais reconhecidos –, na Praça Castro Alves. Wagner Moura, protagonista do filme, subiu ao palco para cantar “Árvore” com O Kannalha; a festa ganhou até a adesão de Daniela Mercury, e não faltou o hit “O baiano tem o molho” para coroar o momento. A estreia reuniu cerca de 1500 pessoas, e ao lado de Wagner, o diretor Kleber Mendonça Filho e a produtora Emilie Lesclaux conversaram com o público e celebraram o feito.
O filme justifica o frenesi. Ambientado no Recife de 1977, “O Agente Secreto” estreou mundialmente em Cannes no dia 18 de maio de 2025 e arrancou uma longa salva de palmas; a imprensa estrangeira descreveu o longa como “thriller político”, “obra‑prima” e “monumental”. Vale lembrar que na mesma noite, o cinema brasileiro fez história: Wagner Moura levou o prêmio de melhor ator e Kleber Mendonça Filho venceu a categoria de melhor direção, algo que um brasileiro não fazia desde os tempos de Glauber Rocha. A obra ainda conquistou o prêmio da crítica (FIPRESCI) e o “Art et Essai” dos exibidores franceses, e foi escolhida para representar o Brasil no Oscar 2026.

E novembro nem dará tempo de descansar. A agenda segue com o Encontro Global do Artivismo (03 a 05/11), Encontros Negros (6 e 7/11), o Banjo Novo (7/11) e o Afropunk Brasil, que este ano acontece nos dias 8 e 9 de novembro no Parque de Exposições de Salvador e já confirmou Jorja Smith como uma das atrações. Depois ainda vêm os Festivais Feira Preta, Movae, e Salvador Capital Afro e a Caminhada do Samba — uma maratona que mistura moda, música, política, gastronomia e arte.
No Dia Nacional da Cultura (5 de novembro), nada melhor do que lembrar dessa versatilidade. Para quem vive em uma cidade onde muitos sonham passar férias, a agenda pode parecer cansativa; para os soteropolitanos, é apenas mais um capítulo da vida cotidiana. Porque em Salvador a cultura negra pulsa o ano todo, e em novembro essa pulsação ganha deboche, sorriso no rosto e muita história pra contar. Parafraseando Wagner Moura “Parece Carnaval. E é”.



Isso é novembro em Ssa/BA.
Menos a parte do jahia. Rsrsrs