O Território Nordeste de Amaralina, em Salvador, deu mais um passo na construção de um futuro sustentável e justo. No último sábado (1º/11), moradores, lideranças comunitárias e organizações parceiras se reuniram para o lançamento da Carta dos Direitos Climáticos do Território Nordeste de Amaralina, documento que expressa o compromisso coletivo da comunidade em enfrentar as desigualdades socioambientais e fortalecer a justiça climática nas periferias.

O evento foi aberto por Tiago Silva, um dos coordenadores da iniciativa, que apresentou os três eixos estruturantes da Carta: Educação Ambiental; Racismo Ambiental e Justiça Climática; e Trabalho e Renda. Cada eixo representa uma frente de ação voltada para a transformação local e a defesa dos direitos climáticos da população.
Durante a abertura, o subsecretário da Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência e Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), Walter Pinto, anunciou sua participação na COP30, Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, que acontecerá em Belém do Pará, entre os dias 10 e 21 de novembro. Em sua fala, destacou a importância de fortalecer as iniciativas de base:
“É nas comunidades que as políticas climáticas ganham sentido. A atuação local influencia diretamente os debates nacionais e internacionais”, afirmou.
A programação também contou com a presença de Rodrigo Coelho, representante da mídia comunitária Nordesteusou, que ressaltou o papel da comunicação popular na mobilização da população para o debate ambiental. Já a escritora Regina Célia Rocha emocionou o público ao relembrar a história e a resistência da Feira Dominical do Nordeste de Amaralina, símbolo da identidade e da economia local.
Entre as propostas discutidas durante o evento, destacam-se a criação de um Restaurante Popular, em consonância com a Lei Municipal de Segurança Alimentar (nº 9.873/2025), e o desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária e do Afroturismo, como caminhos sustentáveis para fortalecer a economia local.
Encerrando as atividades, o Grupo Cultural Arte de Dançar, coordenado pela professora Giselia Pereira, apresentou performances que exaltaram a força e a ancestralidade do território.
A ação foi organizada pela Cartas de Direitos Climáticos, com apoio do Grupo Cultural Arte de Dançar, Neoenergia Coelba, Nordesteusou, Associação de Moradores da Nova República, Secis, Fundo Canadá para Iniciativas Locais, The Climate Reality Project Brasil, Centro Brasil no Clima e o Conselho Regional de Administração da Bahia.
O Território Nordeste de Amaralina, que engloba os bairros Santa Cruz, Vale das Pedrinhas, Chapada do Rio Vermelho e Nordeste de Amaralina, abriga cerca de 100 mil habitantes, segundo o IBGE (2022), em sua maioria jovens negros e negras que enfrentam desafios históricos de acesso a direitos, lazer e oportunidades.
A Carta dos Direitos Climáticos reforça o protagonismo dessas comunidades na luta global contra as mudanças climáticas.
Leia o manifesto completo em: cartasdedireitosclimaticos.com.br/manifesto
Com informações do Portal Agência de Notícias das Favelas (ANF).


