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Cada morte violenta no Brasil gera “perda” de R$ 1 milhão aos cofres públicos, aponta Atlas da Violência 2025

Cada morte violenta no Brasil representa em média R$ 1 milhão aos cofres públicos; Além do impacto econômico, os dados do Atlas da Violência 2025 revelam o peso social de uma política que segue investindo em armas

Foto: Tomaz Silva

A violência no Brasil não é apenas um sintoma do racismo: ela também tem um custo econômico altíssimo. De acordo com o Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o país “perde”, por ano, o equivalente a 11% do Produto Interno Bruto (PIB) mais de R$ 1 trilhão em decorrência de crimes, mortes e prejuízos associados à insegurança.

Segundo o levantamento, cada morte violenta custa em média R$ 1 milhão ao Estado. O valor leva em conta gastos com saúde, previdência, segurança, justiça e, principalmente, a perda de produtividade um impacto que se estende por gerações. “Quando uma vida é interrompida, a sociedade perde muito mais do que um número nas estatísticas. Há um futuro arrancado, uma rede de afeto desfeita, uma economia que deixa de girar”, pontua o pesquisador Daniel Cerqueira, do Ipea.

As consequências da violência não se resumem aos custos financeiros. O estudo mostra que, em comunidades marcadas por tiroteios e operações policiais, crianças perdem dias de aula, professores pedem transferência e vínculos escolares são quebrados. Isso significa menor acesso à educação e, consequentemente, menos oportunidades no futuro.

O Atlas também aponta o peso do proibicionismo das drogas, responsável por cerca de 0,77% do PIB o equivalente a R$ 60 bilhões anuais.
“Grande parte das mortes e dos conflitos urbanos tem relação direta com a disputa entre facções e a chamada guerra às drogas, que segue dizimando vidas negras e periféricas sem reduzir o tráfico ou o consumo”, destaca o pesquisador.

O custo da letalidade:

A cada operação policial que termina com dezenas de mortos, o país se afasta de soluções reais. Na última semana, o Rio de Janeiro registrou a operação mais letal da história, com 121 mortos, entre eles jovens de favelas. O governo chamou de “combate ao crime”, mas, para especialistas, o que se vê é a repetição de uma lógica que mata muito e resolve pouco.
“Essas ações custam milhões, deixam um rastro de dor e não atingem as lideranças do crime organizado. O Estado segue gastando com violência, mas não com inteligência”, critica Cerqueira.

Em contraste, ele cita a Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal e Receita Federal, que desarticulou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. “Sem um tiro, o Estado atacou as estruturas financeiras do crime algo que deveria ser prioridade”, avalia.

No Rio de Janeiro, as perdas econômicas geradas pela criminalidade chegam a R$ 11 bilhões por ano, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Em todo o Cone Sul, estima-se que o prejuízo chegue a 3,3% do PIB regional, conforme o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Mas, além dos números, está o impacto humano: vidas interrompidas, famílias enlutadas e territórios inteiros estigmatizados.

Segurança pública para quem?

A insistência em políticas de confronto e encarceramento em massa reforça um modelo que custa caro, é ineficaz e segue matando, majoritariamente, jovens negros e periféricos.
Para o economista Felipe Tavares, da CNC, “a insegurança urbana não gera custos apenas para um setor específico, mas para toda a sociedade”. Ainda assim, o peso do medo e da violência recai de forma desigual: sobre as mulheres negras, as famílias chefiadas por mães solo e os territórios de pobreza.

“Enquanto o Estado investe bilhões em operações e armas, pouco se fala sobre o investimento necessário em educação, cultura, políticas de juventude e geração de renda. Essa também é uma conta da violência a de um país que gasta para matar, mas não para cuidar”, conclui Cerqueira.

Com informações do Correio Braziliense.

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