
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitou a desocupação imediata do estacionamento localizado em frente ao Santa Casa de Misericórdia de Salvador, no bairro do Campo da Pólvora, em Salvador, para preservar o que estudos arqueológicos indicam ser um antigo cemitério de pessoas escravizadas. A ação visa proteger os vestígios identificados em levantamentos técnicos.
De acordo com levantamento apresentado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) em reunião realizada no dia 21 de outubro de 2025, o sítio pode abrigar mais de 100 mil corpos de pessoas escravizadas e marginalizadas (pobres, indigentes, não-batizadas, suicidas, excomungados).
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A pesquisa foi iniciada com um processo administrativo instaurado em dezembro de 2024, em cooperação entre o Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Bahia (Nudephac), MP-BA e a Santa Casa. Entre os dias 13 e 23 de maio de 2025 foi realizado o levantamento arqueológico que identificou fragmentos humanos e materiais históricos no local.
O Iphan recomenda que sejam mantidos o diálogo com comunidade e grupos de memória, que as escavações arqueológicas prossigam de forma técnica e responsável, e que seja criado um espaço público de homenagem às vítimas. O MP-BA também avalia emitir uma recomendação para suspensão do uso como estacionamento da área.
Entre os participantes da reunião de 21 outubro estavam o promotor de Justiça Alan Cedraz (coordenador do Nudephac), as promotoras Cristina Seixas e Lívia Sant’Anna Vaz, além de representantes da Santa Casa, da arquiteta urbanista Silvana Olivieri, da arqueóloga Jeanne Almeida e de instituições como o Iphan, a Fundação Gregório de Matos (FGM) e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia (Ipac).
O estacionamento, que atualmente ocupa o terreno, funcionava como uso diário da área, o que gera debate sobre a urgência da preservação do local identificado como sítio arqueológico sensível e de relevante valor para a memória social da Bahia e do país.



