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O seu cartão tem o poder da invisibilidade

Foto: JComp/Freepik

Por mais que eu não queira criticar o sistema econômico baseado no consumo a qualquer custo ou de alguma forma demonizar a relação cartão de crédito e consumidor – até porque sei que esta suposta facilitação econômica tem o seu valor e muitas vezes se torna fundamental para o desenvolvimento social, acesso ao estudo e para aquisição de itens de básicos e de conforto para as pessoas -, não tenho como me isentar de fazer comentários e críticas quando percebo a angústia das pessoas por não entender para onde está indo o dinheiro depois de um mês inteiro de trabalho duro.

Resolvi escrever esse texto depois que percebi que, em nove em cada dez consultas ou solicitação de orientação que recebo, a afirmação é: “Eu não sei para onde o dinheiro está indo, eu não faço nada e mesmo assim estou sempre sem dinheiro”.

Em outra oportunidade eu escrevi sobre os mecanismos psicológico no fornecimento do crédito, que, na minha opinião, é de uma perversidade sem tamanho, uma vez que atua no subconsciente de uma população fragilizada, não educada financeiramente e refém do financiamento. Entenda, a compra com o cartão é fácil, é rápida e não gera nenhum impacto imediato no bolso consumidor.

Neste lance de usar o cartão de crédito, o nosso consumidor não precisa tirar o seu rico dinheirinho da carteira ou bolsa, não precisa conferir se o troco está correto, a transação é sempre simples, fácil e cada vez mais rápidas. Tudo isso para que a vítima não tenha tempo de racionalizar e julgar se esse gasto é ou não correto ou necessário e sem gerar nenhum tipo de memória mecânica.

O outro fator que é imbatível e a possibilidade de parcelamento. Gente, isso é a verdadeira arapuca para nosso passarinho assalariado. Quando compramos parcelado a nossa mente só lembre o valor das parcelas e não mais o valor final da compra ou o tempo de parcelamento.

Quando juntamos todos esses detalhes e as técnicas cada dia mais avançadas de vendas, o que temos é um resultado incrível para que financia esse sistema. O gasto fica invisível.

Sim, depois da compra é como se esse gasto nunca tivesse existido, pois não gerou nenhuma lembrança mecânica ou impacto imediato e assim você vai vivendo e consumindo durante todo o mês, gastando aos pedacinhos, sem perceber o buraco que está cavando e cultivando a impressão de que sempre tem dinheiro, pois você está passando o cartão e a compra está sendo aprovada. Aí, você continua comprando sem limites, sem critérios e sem consciência. Neste cenário de dinheiro ilimitado, tudo passa a ser uma grande oportunidade.

Faça um exercício do seu próprio comportamento e veja se acontece com você aquela coisa de pedir hamburger gourmet em dia de semana, no outro dia pedir aquela pizza à noite durante a semana sem motivo aparente. E tem ainda aquela ida no estádio ver o jogo do seu time e já se vai mais um dinheirinho com a gelada, o sanduba ou espetinho e, no final de semana, vem o passeio ao shopping, onde tudo que você ver nas vitrines parece ser uma oportunidade incrível e feita para você. E aí, é ou não é bem assim?

Mas uma hora a conta chega, parceiro! Chega e chega direitinho e gostoso no final do mês. Cada pedacinho invisível que você foi acumulando sem perceber, no final no mês se juntam e se transformam na fatura do seu lindo cartãozinho. Nessa hora, não tem mais jeito: tem que pagar na data ou a coisa só vai piorar, porque os juros do nosso amigo cartão black plus das galáxias são daquele jeitão.

Entendeu agora porque eu critico tanto o tal do cartão? Não pelo cartão. O cartão é uma ferramenta importantíssima e ajuda muito para quem sabe usar. As regras do uso e dos juros estão aí para qualquer um ver e, em tese, entra nessa quem quer.

Ao meu ver, a questão está na permissão de práticas de financiamento deste tipo em uma sociedade que infelizmente não teve nenhum tipo de educação financeira nas escolas. A maioria da população cresce sem o mínimo de senso crítico, percepção de limites financeiros, que é hiper estimulada ao consumo e que vai chegar na vida adulta frágil, sem entender nada ou o mínimo de economia doméstica ou finanças.

Essa é a verdadeira receita para a riqueza de quem tem para emprestar e a porta do precipício para aqueles que não entendem o jogo. O nosso jovem adulto vai ser jogado em uma verdadeira selva econômica, onde quem manda é a força financeira, ou seja, o mais forte é aquele consegue fazer com que o dinheiro migre do bolso dos outros para sua conta o mais rápido e na maior quantidade possível. Vale assistir o filme Lobo de Wall Street.

Agora, adivinha que é o elo fraco desta corrente ou a base da cadeia alimentar nesta floresta?

Então, meus peixinhos dourados ou esquilinhos fofos, já passou da hora de ficar esperto e usar um pouquinho do juízo para entender a regra do jogo e aprender como sobreviver nesta selva que a sociedade capitalista. Todos vão querer sobreviver e enriquecer!

Sei que um texto rápido como esse não vai te ensinar tudo sobre economia, finanças ou comportamento socio econômico, mas a minha esperança é que ao menos crie um incomodo e que faça você se mover e buscar uma forma de ao menos não ser uma presa fácil neste jogo.

A minha sugestão é entender logo que não existe almoço grátis e que você só vai prosperar se entender que precisa controlar os seus custos e planejar os seus gastos e passar a consumir com consciência. Consumir com base em sua realidade atual, anotar e acompanhar as parcelas caso tenha comprado parcelado e planejar a sua vida.

Sim, para viver tem que ter planejamento!

Esse negócio de deixar a vida me levar só funciona na música de meu amigo Zeca ou no máximo para aqueles que são herdeiros e não sabem de onde vem o dinheiro que gasta.

Dito tudo isso, eu te deixo uma pergunta meus amiguinhos:

Você vai tomar conta da sua vida ou vai deixar o cartão de crédito usar a capa de invisibilidade do Harry Potter e continuar brincando e fazendo o que quiser com o seu destino?

Forte abraço e até a próxima!

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Cassio Adriano
Cassio Adriano
10 meses atrás

O cartao faz parte da máquina de consumo.
Parabéns pelo texto .

Fábio Bunga
Fábio Bunga
10 meses atrás

Infelizmente a falta de controle e conhecimento financeiro levam pessoas despercebidas e não só a buscarem refúgio ao cartão de crédito, quando na verdade o valor gasto durante o mês é superior ao seu ganho no final do mês.

Weslei
Weslei
10 meses atrás

cartão black plus das galáxias Kkkkkkk

Raiza
Raiza
10 meses atrás

O cartão, faz você enxergar que ainda tem grana disponível pra gastar. Você, pensa paguei as contas o salário já foi, porém o cartão ta ae, então ainda tenho dinheiro pra comprar aquela pizza ou então fazer a festa na lojinha de blusinhas.
O cartão, deve ser válido para compras de valor alto, exemplo comprar uma televisão, uma geladeira. Para gastos pequenos te atrapalha mais do que ajuda.

Lívia Rezende
Lívia Rezende
10 meses atrás

Como sempre um texto que nos traz a reflexão, atenção e cuidado com o planejamento financeiro.

Alana nepomuceno
Alana nepomuceno
10 meses atrás

Com a quase extinção do dinheiro em espécie, muita gente perdeu a noção do que realmente gasta. O dinheiro virou apenas um número na tela: saldo. Hoje, compramos com um simples toque no celular, no cartão ou até no relógio — o dinheiro se tornou quase um fantasma na rotina da maioria das pessoas. Achei esse texto muito interessante e vou compartilhá-lo. Confesso que tenho aprendido, muitas vezes pela dor, a importância de ter uma organização financeira melhor.

Priscila
Priscila
10 meses atrás

Excelente reflexão. O texto escancara de forma clara e leve como o uso inconsciente do cartão de crédito pode se transformar em uma armadilha silenciosa.

Sandra Castro
Sandra Castro
10 meses atrás

cartão de crédito, embora seja uma ferramenta prática e muitas vezes necessária, pode se transformar em um grande vilão das finanças pessoais quando usado de forma inconsciente. O trecho apresentado ilustra com clareza como o consumo por impulso e a facilidade oferecida pelas operadoras criam um ambiente propício ao endividamento silencioso.
Ilusão da Facilidade
A conveniência de não precisar mexer na carteira ou calcular o troco retira do consumidor a percepção real de gasto. O processo se torna tão automático que não há tempo para o julgamento racional, e a compra é feita sem reflexão. Essa ausência de contato físico com o dinheiro enfraquece a noção de perda — afinal, o dinheiro não “saiu da mão”.

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