
Apesar da presença do samba e da bossa nova no imaginário estrangeiro do que é música brasileira, a revista britânica The Economist aponta que essa representação pode estar ultrapassada.
“Os brasileiros modernos preferem o sertanejo, um gênero de música caipira, e o funk, um estilo que surgiu nas favelas do Rio. O funk, em particular, pode se tornar global e mudar a marca do Brasil no processo”, diz a revista em artigo publicado na última quinta-feira (6), que destaca em seu site uma foto da cantora Anitta.
O título diz a seus leitores que a ascensão do sertanejo reflete as mudanças na economia do Brasil, que costumava ser baseada na indústria, mas agora é impulsionada pela agricultura.
Leo Morel, da Midia Research, disse à “The Economist” que a maioria dos produtores de música do Brasil ficava sediada no Rio, mas, à medida que a agricultura se tornou mais importante, “os Estados rurais começaram a ganhar voz”. O texto destaca que os temas dos cantores sertanejos são: gado, cerveja e caminhonetes americanas.
Apesar do domínio do sertanejo, a revista diz que o estilo tem pouco potencial de exportação. Morel diz à “The Economist” que poucos artistas sertanejos brasileiros se preocupam em se tornar globais.
A revista contextualiza o histórico do funk brasileiro, surgido no final da década de 1980 e inspirado no miami bass e electro-funk, subgêneros do hip-hop americano que incorporam bateria eletrônica.
Explica ainda que os brasileiros criaram seu próprio funk e que “desenvolveram uma subcultura em torno do gênero”, com movimentos como o “passinho” para os homens e a “rebolada” para as mulheres, que eles chamam de “uma variante acelerada do twerking”.
A “The Economist” diz que os temas e letras do funk brasileiro muitas vezes podem ser violentos.
“Em um baile funk recente em uma favela no bairro carioca da Glória, adolescentes andavam com fuzis pendurados nos ombros e cintos de cartucheiras na cintura. Um homem de 20 e poucos anos acenava com um fuzil semiautomático incrustado de ouro. Atrás do palco, homens armados guardavam uma mesa empilhada com bolsas de cocaína para venda”, descreve.
Para a “The Economist”, se embaixadores da música do Brasil costumavam ser artistas como Gilberto Gil, “hoje o mascote preferido é a Anitta”.
A revista destaca que ela trabalhou por muitos anos para chegar ao mercado internacional, aprendeu espanhol e inglês, comprou uma casa em Miami e assinou com uma gravadora de prestígio, a Republic Records.
A “The Economist” diz que o fato de ela ter precisado aprender dois idiomas e misturar gêneros para se tornar uma artista global revela a dificuldade que artistas brasileiros têm para alcançar um público internacional.
A revista conta que Beyoncé e Kanye West, duas superestrelas americanas, usaram batidas de funk em seus novos álbuns.
A “The Economist” diz que a América Latina e a África Subsaariana são os mercados de música que mais crescem no mundo.
Roberta Pate, do Spotify Brasil, disse ao veículo que embora a América Latina tenha apenas 8% da população mundial, ela é responsável por quase um quarto da base de usuários ativos mensais do Spotify.
O título diz ainda que o ingrediente fundamental para o sucesso de gêneros internacionais, como reggaeton, foi a “consistência na forma como os artistas dedicam seus recursos para conquistar o público global”.
Para a revista, se Anitta for capaz de seguir o exemplo, o crescimento global do funk pode não estar longe.
Fonte: g1



