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Portal UMBU

15ª Feira Baiana da Agricultura Familiar exalta diversidade e sustentabilidade climática 

Foto: André Frutuôso- Ascom/CAR

A 15ª Feira Baiana da Agricultura Familiar começa nesta quarta-feira (11), às 18h, no Parque Costa Azul celebrando a diversidade dos produtos agrícolas e a cultura familiar do cultivo empreendedor baiano. Do chopp de café, passando pela moqueca de ostra, ao Iogurte de Maracujá, a abertura da feira reunirá toda a beleza artesanal do cultivo e extração dos produtos agrícolas presentes nos estandes espalhados por toda a área verde do Parque Costa Azul somando 27 territórios de identidade na Bahia, além de outros estados em sistema de cooperativa. 

Jeandro Ribeiro, diretor presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), em entrevista ao Portal Umbu, destacou a importância de eventos como a 15ª Feira Baiana de Agricultura Familiar e Economia Solidária como síntese dos investimentos do Governo do Estado da Bahia para agricultura familiar que já beneficia 2 milhões de pessoas com mais de 600 mil estabelecimentos empreendedores rurais atendidos . 

“São os grandes produtores de alimentos saudáveis que chegam à mesa dos baianos e das baianas, trazendo para Salvador mais de 600 expositores que estão aqui sendo, sem dúvida nenhuma, uma oportunidade para todos. Para eles conhecerem essa dinâmica do sistema de mercado consumidor em Salvador, que envolve 4 milhões de pessoas, e para a turma de Salvador e Região Metropolitana conhecerem a riqueza e a diversidade dos produtores da agricultura familiar baiana”, enfatizou Ribeiro. Para o gestor da CAR, a produção agrícola familiar baiana vem se aflorando muito, de forma verdadeira, através da escuta ativa local, auxiliando no que os produtores precisam e apresentando a política pública.

“O que a gente percebe aqui nesta 15ª edição da Feira Baiana da Agricultura Familiar é que essa turma que está vindo consagra essa diversidade. Por exemplo, apresenta ao consumidor  o aipim processado, mas também  o panetone de aipim. Nos mostra o licuri como um coquinho que já consumimos e conhecemos da nossa infância, mas também traz o biscoito do licuri. Essa diversidade que a agricultura baiana tem e o poder que ela tem nesses produtos”, vibrou Jeandro Ribeiro. 

Produtos como a amêndoa do cacau produzidos no Sul da Bahia já são conhecidos pela sua qualidade e são exemplos de sustentabilidade. São vendidas como barras de chocolates, como complementos de barras de cereal que vêm da copaíba da cidade de Itaberaba promovendo um grande encontro de produtos e histórias que o consumidor de Salvador ou Região Metropolitana encontrará e pode se identificar com as memórias afetivas de quem o produziu. Outro exemplo de empreendedorismo inovador são os iogurtes ditos exóticos para o paladar do soteropolitano como, por exemplo, o iogurte de umbu, que é uma planta da Caatinga, o iogurte de  licuri, por também ser uma experiência oriunda de um fruto do bioma, o iogurte de café por ser um encontro da Chapada Diamantina, reconhecido mundialmente como o melhor café do mundo, com o iogurte da cidade de Várzea Nova.

Ícaro Renê, na Bahia que prima pela erradicação da fome, conta que “a intenção é fazer com que o campo seja produtivo e gere renda. Através de todos os esforços do Governo do Estado, é fazer com que a nossa agricultura familiar produza com qualidade e consiga agregar valor ao seu produto transformando nessa diversidade deliciosa de produtos que nós vemos aqui na 15ª FEBAFS”

Essa 15ª Feira Baiana da Agricultura Familiar é vista como uma celebração, trazendo de volta a relação de afinidade entre quem produz, quem consome e a sua história. 

Rodolfo Moreno, membro da  Cooperativa de Cafés Especiais e Agropecuária de Piatã (Coopiatã) e proponente do Território da Chapada Diamantina,  que participa desde 2016 do evento em Salvador, apresentou, neste ano, produtos novos do Vale do Alho,  localizado no município de Novo Horizonte, de Boninal. Também foram apresentados novos cafés como o orgânico, com especiarias e o chopp de café que é uma parceria da Coopiatã com a Moreno Coffee Company, que desenvolveu esse produto em parceria com Daniel Moraes. 

“É o momento de celebração de final de ano. É o momento em que a gente celebra junto com o pessoal de todas as cooperativas e os amigos do associativismo que são nossos companheiros e companheiras de luta da agricultura familiar. Durante todo o ano desenvolvemos trocas de ideias, reuniões, assembleias cooperativas, encontros de mulheres da agricultura familiar. Enfim , a gente ainda tem muita coisa pra fazer e celebrar nesta 15ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária”, celebrou Moreno.

Falando sobre desafios climáticos e acolhimento dos produtores na Chapada Diamantina, o co-fundador da Coopiatã Rodolfo Moreno afirmou que vem tentando imprimir nos cooperados as noções básicas de cuidado e cultivo com a terra que ele produz. Para ele, não é uma questão de só motivar, ensinar a vender e expandir o comércio. É uma questão de entender e tratar do solo para que ele não deixe de favorecer as famílias que vivem dele. Entender que quem também trabalha na Terra também precisa de cuidados como é o caso do uso de agrotóxicos e outros processos de combate a pragas na agricultura familiar. 

Moreno reafirma a importância de se ter um olhar ambiental, social , econômico até para que se preserve esse lugar fantástico que é a Chapada Diamantina . 

“O chopp de café está suave, refrescante e para todas as ocasiões. Bem geladinho e bem gostoso para se refrescar ou para curtir a noite, está perfeito.  A palavra e o sentimento  que eu desejo  aos agricultores familiares é coragem para que eles possam permanecer unidos para trilhar seus novos caminhos em 2025”, encerrou o coordenador da Coopiatã. 

Já para Elinton Santos Félix, gerente administrativo da Copag Alimentos,  participar da 15ª edição da FEBAFS para comercializar os produtos que vêm de Várzea Nova, Jacobina e Morro do Chapéu é a consagração de várias experiências no decorrer de 2024. 

“Trabalhamos com duas cooperativas: a COPAE, que é uma cooperativa de derivados de leite, e a COPAU, que é uma cooperativa de fruticultura e horticultura, derivados da mandioca. Nós viemos comercializar os nossos produtos e, dentre eles, nós temos um mix de iogurte saborizados, que chamamos de especiais. Iogurte de licuri, umbu, café, abacaxi, pinha, maracujá, além do iogurte natural feito 100% com leite e sem aditivos químicos, apenas a adição da fruta genuinamente. Hoje, a Coopag conta com 320 cooperados e destes, 240 cooperados são produtores ativos de leite. São cooperados divididos atualmente em 09 municípios da Bahia , gerando sua própria renda”, exaltou Elinton. 

As adversidades climáticas também são pauta entre os cooperados da Copag. Para Elinton , por estar no centro do polígono da seca , ele costuma dizer que os cooperados “tiraram leite de pedra” . A localidade chove apenas  de duas a três vezes ao ano, sendo que cada produtor tem um rebanho leiteiro de quatro a cinco animais de produção e nos associando às políticas públicas do Governo do Estado, como por exemplo, cedendo caixas d’águas, estruturando a perfuração de poços e insumos agrícolas. No projeto “Bahia Produtiva” , citado por Elinton, foram distribuídos 20 mil mudas de palmas para cada produtor, alimento essencial para vacas leiteiras por possuir a parte sólida com fibra  e a parte líquida. O animal não sofre com os efeitos da seca. A faixa etária de produtores da Coopag vai de 24 anos a 40 anos, sendo que 70 destes cooperados  são mulheres mães solo.Tradição passada de pai para filho ou de mãe para seus filhos. 

“Venho de um povoado chamado Gaspar e meus pais passaram a vida inteira trabalhando na roça cultivando, capinando e colhendo e eu fui aprendendo e me apegando a essas atividades rurais em sistema coletivo. Com o incentivo que o governo traz pra gente, com as novas oportunidades, hoje os nossos produtos já são encontrados aqui, em Salvador, como no Rede Mix, Hiper Ideal, Cesta do Povo e na Ceasinha”, explicou Elinton . 

Para o secretário Osni Cardoso, responsável pela pasta de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia (SDR), a abertura da 15ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária na verdade é uma grande celebração . 

“Já estou acostumado com os produtores e seus produtos, já que vou para o interior constantemente. Essa feira gera emprego e já são 1 milhão e meio de empregos, 420 agroindústrias funcionando, com a participação de diversas cooperativas que conseguimos trazer para cá e outras já encaminhadas para participarem futuramente. Estamos na Bahia e no Nordeste, espalhados entre quase 5 mil produtos. Toda vez que fazemos algo grande, a tendência é aumentar a procura imediatamente, como já acontece aqui, ano após ano. Aqui é o lugar do encontro, do samba, do sabor”, comentou Osni.

São 22 debates programados sobre as mais diversas culturas de cultivo dentro da agricultura familiar, sobretudo sobre todos os investimentos feitos pelo Governo do Estado da Bahia para acompanhar e levar ferramentas, através de políticas públicas para estas famílias. Somou-se o valor de R$1 milhão para reafirmar que a Bahia tem potencial de expansão da Agricultura Familiar e Economia Solidária. 

“Os povos originários foram os primeiros. O ex-governador Jacques Wagner iniciou essa relação de diálogo empreendedor com os povos originários, Rui deu continuidade e nosso governador, Jerônimo Rodrigues, é ainda mais apaixonado por esses povos, colocando mais investimentos e chamando todo mundo para a roda seja na estruturação de equipamentos destas terras para tecnificar, seja na organização para documentação fundiária e um espaço digno para a exposição dos produtos produzidos por eles. Uma roda que cabe todo mundo: os que produzem, os que consomem e os que têm gostos diferentes, com esse olhar regenerativo para mãe Terra”, reafirmou  o secretário Estadual de Desenvolvimento Rural da Bahia. 

Vamos celebrar tudo que tiver de bom aqui, mas não vamos esquecer que ainda temos tarefas contra aqueles que ainda fazem grilagem, aqueles que ainda promovem violência no campo e que insistem em continuar negando direitos aos povos originários e aos que desejam produzir ao lado de suas famílias seja ele de qual etnia for. 

“A Bahia tem 128 municípios que têm mais pessoas no campo do que na cidade. Se esse quadro se apresenta é por que esse cidadão está feliz produzindo e se sustentando com a sua própria cultura de cultivo familiar  e sobrevivendo disso. Aos poucos, vamos fomentando o aumento dessa quantidade e mais reformas agrárias vão acontecendo. Ainda é de forma tímida, mas a sempre o desejo da conquista de sua própria terra para viver em paz com a sua família”, finalizou Osni Cardoso. 

O cantor Jau sobe ao palco hoje às 18h e logo após haverá uma homenagem a Mãe Bernadete Pacífico, líder quilombola e yalorixá morta em 2023, em Simões Filho, na Bahia. Com uma decoração que une a arte urbana com a vida rural produtiva no campo, o grafiteiro Éder Muniz expõe a sua arte urbana em homenagem ao cultivo da Terra e os Povos Originários numa tela gigante, logo na entrada da 15ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária, mostrando que a arte urbana presente nos municípios da Bahia também é pioneira quando o assunto é agricultura familiar, economia solidária, sustentabilidade, povos originários e narrativas artísticas em grafitti. 

A programação é gratuita e está aberta ao público até domingo. 

 *Texto produzido por Patrícia Bernardes Sousa, jornalista e mobilizadora de Projetos de Impacto Social na Bahia.

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