Edital Elas à Frente foi anunciado nesta sexta-feira (12), em evento realizado na PGE. CEOs da Umbu Comunicação foram homenageadas junto a outras profissionais em cerimônia

A comunicação baiana foi reverenciada nesta sexta-feira (12), em evento promovido pela Secretaria das Mulheres do Estado da Bahia (SPM). Jornalistas, relações públicas, publicitárias, influenciadoras digitais, assessoras de comunicação, radialistas e outras profissionais da área foram homenageadas em cerimônia na qual foi anunciado o edital Elas à Frente para mulheres comunicadoras na Bahia.
A programação na SPM na Procuradoria Geral do do Estado (PGE), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), que já havia contado com a presença da escritora Conceição Evaristo em sua primeira etapa, foi iniciada com uma dinâmica entre as comunicadoras pela tarde. As participantes foram homenageadas por suas contribuições para a comunicação baiana.
Entre as prestigiadas, a publicitária Mirtes Santa Rosa e a jornalista Camilla França, CEOs da Umbu Comunicação e Cultura, foram congratuladas pelo desenvolvimento de seu trabalho. Na oportunidade, Santa Rosa convidou as mulheres da comunicação na Bahia, a encontrar caminhos para captar os recursos de publicidade. A profissional destacou a importância de capacitar ainda mais as mulheres da comunicação e a necessidade de ter “um olhar de empresário voltado para o negócio”.

Também foram homenageadas as comunicadoras Val Benvindo, Ceci Alves, Wanda Chase, Georgina Maynart, Lorena Ifé, Maíra Azevedo, Marjorie Moura, Silvana Oliveira, Cleidiana Ramos, Bárbara Carine, Carla Akotirene, Mabel Freitas, Cristiele França, Dina Lopes, Ekedy Sinha, Marlupe Caldas e Vânia Dias.
Durante o evento, foi anunciado um edital voltado para mulheres que vivem na Bahia e conduzem algum projeto na área da comunicação, como blog, podcast ou projeto de fotografia. Com investimento previsto de R$1,5 milhão, o edital ainda não tem data oficial de lançamento, mas está programado para ocorrer ainda em julho, mês da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
Aldinha Sena, chefe de gabinete da SPM, explica que o edital Elas à Frente fortalece o trabalho de comunicadoras nos 417 municípios do estado que não contam com financiamento ou que não conseguem ecoar suas ações. “Nós queremos fortalecer o protagonismo das mulheres que fazem a sua economia criativa, enquanto comunicadora, girar, mas que tem essa dificuldade de acessar as políticas públicas. Esse edital também é importante porque nós queremos estabelecer uma rede de parceria entre as mulheres comunicadoras e as políticas que nós estamos desenvolvendo na Secretaria de Política para as Mulheres”.

“Queremos estabelecer [essa política] porque 52% da população é mulher e nós podemos, juntas, fazer acontecer mais e melhor a política na ponta”, declarou ao Portal Umbu. Sobre editais para mulheres quilombolas, a chefe de gabinete da pasta explicitou: “Hoje nós fizemos a escuta para o edital de mulheres comunicadoras. Lançamos, no ano passado, um edital para mulheres indígenas, de R$ 2,6 mi, que fortalece 14 empreendimentos de mulheres indígenas. Nós temos um edital quilombola que está saindo do forno, que é para fortalecer a economia das mulheres que vivem em quilombos. A política da Secretaria de Mulheres é através dos editais, através da capacitação para fortalecer as economias e para prevenir as mulheres de viverem situações de violências”.
Uma das homenageadas, a radialista e blogueira Josélia Maria Silva, ao Portal Umbu, declarou que “é um edital que vai fortalecer a comunicação da mulher, principalmente a mulher negra”. Ela explica que há muitas mulheres que, ao iniciar a criação de um projeto como site de notícias, podcast, blog ou um canal em alguma rede social, se deparam com dificuldades na compra de equipamentos.
Com o edital, ela analisa: “A gente vê que vem um fomento, vai ter um incremento na renda. Agora, claro, a gente tem que apresentar o projeto, tem que concorrer. Nesse edital, eu acredito que tem uma grande porta que se abre em um mundo de tanta desigualdade, porque geralmente os homens têm mais poder econômico. As empresas, os órgãos, os governos preferem também investir mais em homens. Chegou em boa hora, num momento ainda difícil para todos nós, de pós-pandemia”.
Para Luciana Mandelli, superintendente de Promoção e Inclusão Socioprodutiva da SPM, a iniciativa é uma vitória do movimento feminista. “As mulheres ocupam um espaço importantíssimo nos meios de comunicação e na cadeia produtiva da comunicação. A gente viu aqui hoje, nesse evento, uma quantidade de mulheres jornalistas, publicitárias, que fazem RP [relações públicas], que estão no universo digital e que estão planejando uma comunicação estratégica e a ocupação das mulheres de forma estratégica na comunicação”.

“Então, foi muito à luz dessa realidade que a gente já vinha vivendo, que a gente pensou na realização desse edital, mas também uma outra coisa que nos incomodava […] A comunicação dirigida às mulheres, na forma tradicional, é colocada no patamar do debate sobre a violência – pelos feminicídios, pela quantidade de instrumentos de violência que são praticados contra as mulheres, seja do ponto de vista do universo doméstico, como do universo político […] E a gente percebeu que essa comunicação não fluía. Ou a gente era isso ou a gente é uma mulher objeto.”
Mandelli segue dizendo: “A gente quer instrumentalizar, também, a formação de novos conteúdos que deem uma outra visão à condição da mulher e todas as narrativas possíveis porque gente não quer só a narrativa das mulheres brancas com condição de comercialização e de compra e para quem é dirigida a maioria da comunicação das mulheres”. A intenção do edital é “mapear e articular essas mulheres, promover que elas se articulem entre si e estabeleçam uma rede de comunicação em prol mulheres […] em prol da gente conseguir enfrentar as violências, em prol da gente conseguir colocar o que, de fato, as mulheres são em voga e em vista, porque parte grande do nosso trabalho é escondido, das nossas condições estão escondidas”.
“Quando a gente promove uma mulher comunicadora, a gente também está promovendo isso: a invisibilidade dos nossos trabalhos, as diferenças salariais. Enfim, por isso tudo que a gente acredita que esse edital é uma é um bom primeiro passo para que as mulheres se posicionem estrategicamente num ambiente da comunicação”, concluiu a superintendente.
Com apuração do jornalista Jadson Luigi.




