As iniciativas são separadas em 12 tipos de atividade: arquivologia, arte, ativismo, biblioteconomia, cartografia, comunicação, cultura, educação, museologia, pesquisa, religiosidade e saúde

A Casa Sueli Carneiro, entidade que se funda sobre o propósito de difundir e multiplicar o legado da ativista, intelectual e filósofa paulista, lançou, no último dia 27 de junho, a plataforma Constelações de Memória Negra, um mapeamento de organizações e movimentos que trabalham com a produção, preservação e disseminação da memória negra brasileira.
Fundada em 2020, e atuando de maneira on-line desde 2021, a Casa Sueli Carneiro busca ampliar a visibilidade e o alcance do pensamento ativista-intelectual negro no Brasil, se estruturando como espaço referência, pautado pela liberdade e autonomia de discussões e reflexões.
Na plataforma Constelações de Memória Negra, foram contempladas 209 iniciativas separadas em 12 tipos de atividade: arquivologia, arte, ativismo, biblioteconomia, cartografia, comunicação, cultura, educação, museologia, pesquisa, religiosidade e saúde.
O uso da imagem da constelação busca mostrar a memória negra como estrelas em constante conexão e diálogo, além de apresentar as diversas áreas em que as organizações atuam.
(INSERIR IMAGEM DO QUADRO)
De acordo com o site da instituição, o projeto busca ajudar a criar estratégias de combate ao racismo através da preservação da memória. Entre ações práticas estão a construção de arquivos e acervos, criação de campanhas e desenvolvimento de iniciativas e espaços culturais que apresentem a história da população negra no Brasil.
Além do ramo em que a organização citada trabalha, a plataforma disponibiliza informações sobre a localização da iniciativa e uma pequena biografia sobre as ações realizadas. Há ainda uma linha do tempo apresentando os principais marcos da historiografia negra, culminando na fundação da Casa Sueli Carneiro, em 2020.
O processo de identificação
A Casa Sueli Carneiro começou a identificar organizações e movimentos que trabalham com a memória negra em março de 2021. Em seis meses, a instituição enviou formulários e recebeu dados de 122 iniciativas que se encaixavam na proposta.
Nesse primeiro momento, a instituição obteve informação de mais de 800 pessoas que trabalhavam com a temática da memória negra. A intenção é que o projeto seja constantemente atualizado para incluir novas iniciativas. A instituição também realizou entrevistas com estudiosos na área para entender as singularidades do trabalho de preservação.
A instituição
A Casa Sueli Carneiro é um espaço criado para o fortalecimento e o desenvolvimento do pensamento ativista, intelectual e político negro no Brasil. A instituição fica na zona oeste da cidade de São Paulo, ao lado da Cidade Universitária, no local em que a pensadora viveu por 40 anos.
O espaço conta com uma série de documentos, fotografias, recortes de jornais e cartas que retratam a história negra em 40 anos. O público pode visitar o espaço para a consulta dos materiais.
Considerada uma das maiores teóricas feministas do país, Sueli Carneiro, de 74 anos, fundou o Geledés Instituto da Mulher Negra, que atua desde abril de 1988. Também foi a primeira mulher negra doutora honoris causa da UnB (Universidade de Brasília), título que recebeu em 2022, mesmo ano em que conquistou o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária.
Fontes: Nexo Jornal e Itaú Cultural


