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Dia de São Jorge rememora relação do santo guerreiro com o sincretismo religioso

Celebrado neste 23 de abril, santo de origem turca é ligado aos Orixás Ogum e Oxóssi no Brasil

Estátua de São Jorge em Berlim, Alemanha | Foto: Divulgação/Arquidiocese de São Salvador

Os devotos de São Jorge, conhecido como santo guerreiro da Capadócia, participam de programações especiais nesta terça-feira, 23 de abril. Na Paróquia São Jorge – a única da Arquidiocese de São Salvador da Bahia dedicada a ele – com missas ao longo do dia.

Com procissão neste dia, o ponto alto das homenagens ao santo guerreiro será a Santa Missa Solene, presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, Dom Dorival Barreto, às 19h.

Conheça a história do santo que lutou com um dragão e entenda como se originou a relação dele com as religiões de matriz africana no Brasil.

História

Nascido na Capadócia, por volta do século III, Jorge foi um oficial do exército do imperador Diocleciano criado sob os costumes do cristianismo. Após a morte do pai, mudou-se, com a mãe, da região que hoje pertence à Turquia para morar na Palestina, onde foi promovido a capitão do exército romano. Aos 23 anos, já exercia altas funções na corte imperial.

Na época, o imperador Diocleciano planejava mandar matar todos os cristãos e, no dia em que o senado confirmaria o decreto imperial, Jorge declarou-se espantado com a decisão e passou a afirmar que os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses, e defendeu somente a fé em Jesus Cristo.

Ao ouvi-lo, o imperador mandou torturá-lo até que ele negasse a fé em Jesus, entretanto Jorge continuou firme como servo de Deus e não fez o que o imperador queria. Insatisfeito com a postura de Jorge, Diocleciano mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303.

São Jorge é considerado Padroeiro dos cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas e arqueiros e é invocado ainda contra a peste, a lepra e as serpentes venenosas. O Santo é honrado também pelos muçulmanos, que lhe deram o apelativo de “profeta”.

O dragão

Conforme a tradição, a história mais famosa envolvendo São Jorge acompanha o santo guerreiro em missão na cidade de Selém, na Líbia. É contado que na região havia um grande pântano no qual habitaria um dragão. Na tentativa de aplacar a fome e a ira da criatura, os habitantes da cidade ofereciam sacrifícios: dois cabritos por dia e, com não tanta frequência, um cabrito e uma pessoa jovem escolhida por sorteio.

Em uma das vezes, a sorteada acabou sendo a filha do rei que, indo cumprir sua sina, foi salva por São Jorge, que acabou por matar a fera com a sua espada e protegido pela cruz. Segundo a Arquidiocese de Salvador, o episódio representa o símbolo da fé que triunfa sobre o mal, sendo considerado, por vezes, uma metáfora.

Sincretismo brasileiro

Com o processo histórico de colonização, tráfico humano e colonização, surge no Brasil o sincretismo religioso, um esforço dos negros africanos para manter sua fé e sua identidade vivas frente ao cerceamento e apagamento de seus direitos, cultura e religiões na escravidão.

Por conta deste processo, muitas vezes a figura de São Jorge é associada às dos Orixás Ogum, no sudeste, e Oxóssi, na Bahia. Ambos são representados pela figura de um guerreiro, como o santo.

Estátua de Oxóssi | Foto: Shutterstock/João Bidu/Reprodução/UOL

Ogum é o orixá guerreiro, senhor da metalurgia, tendo domínio sobre o ferro e o aço e todas as ferramentas feitas com esses materiais, como a lança, o martelo, a faca, a ferradura e a enxada. Os pontos em comum com fortalecem a relação com o santo católico no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Rio Grande do Sul, além de ter o dia celebrado na mesma data de São Jorge: 23 de abril.

Associado à luta e também ao trabalho, ele é patrono tanto dos militares quanto dos trabalhadores braçais. A tradição conta que Ogum viveu em terras iorubás antes de sumir. O Orixá foi cultuado originalmente na Nigéria, a mais de 7 mil quilômetros da Península da Anatólia.

Escultura de Ogum, por Tati Moreno, no Dique do Tororó, em Salvador | Foto: Célia Cerqueira/Flickr

Já Oxóssi, tem como seu dia o 20 de janeiro, o mesmo que São Sebastião. É o Orixá ligado ao conhecimento e à natureza, sendo representado como um grande caçador e relacionado à fartura e ao sustento.

Embora associados, São Jorge não é Ogum ou Oxóssi, são divindades diferentes, atreladas como forma de sobrevivência cultural de quem foi outrora oprimido.

Com informações de Vatican News e Enciclopédia de Significados

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