Três equipamentos culturais de relevância histórica foram selecionados pelo novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para serem restaurados em Cachoeira, no Recôncavo Baiano.

A Casa do Samba de Roda de Dona Dalva, o Conjunto Urbano do Quarteirão 7 de Setembro e o Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê correspondem a 3 de 13 propostas da Bahia que foram selecionadas para receber investimentos do Novo PAC Seleções. O Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, inclusive, foi tombado como Patrimônio Cultural Brasileiro, em fevereiro, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Cachoeira já tem seu conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN, mas ainda não há previsão para o início das obras. No total, foram 105 propostas selecionadas pelo PAC, sendo 45 do Nordeste.
“Nós apresentamos a iniciativa com justificativas e objetivos e o PAC aprovou o financiamento do projeto arquitetônico. Depois que ele for finalizado, a obra será executada”, explica Marcelo Souza, secretário de Cultura de Cachoeira.. O valor total do investimento ainda não foi divulgado, mas a previsão da prefeitura é que as três obras custem, em média, R$ 4,189 milhões.
Além dos equipamentos de Cachoeira, cinco projetos foram selecionados em Salvador: Casa Berquó e Sete Candeeiros, Faculdade de Medicina da Bahia, Convento de Santa Clara do Desterro, casarões no Centro Histórico e na região do Pilar. Em Santo Amaro, o Centro Cultural da Casa do Samba será restaurado.
Conheça a história dos bens culturais de Cachoeira
Casa do Samba de Roda de Dona Dalva

O reconhecimento do Samba de Roda como patrimônio cultural, em 2004, teve como protagonista a luta de Dalva Damiana de Freitas, de 96 anos. A tradicional sambadeira de Cachoeira e integrante da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte foi reconhecida como doutora honoris causa pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) em 2012.
Cinco anos depois, um terreno com ruínas remanescentes foi adquirido pela família de Dalva para que fosse criado um centro de referência do Samba de Roda do Brasil. “Essa é a consolidação de um sonho de um espaço que abrigue as manifestações organizadas e pensadas pela minha avó em um espaço fixo e aberto à sociedade”, diz Any Manuela Freitas, que encabeça a luta pelo centro e é neta de Dalva Damiana.
Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê
Casa símbolo da resistência à intolerância religiosa na Bahia, o Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê foi fundado em Cachoeira em 1916 por Mãe Judith. O espaço fica localizado a quatro quilômetros do centro da cidade e possui 22 hectares. Atualmente, Pai Duda de Candola é quem lidera as ações do terreiro, que tem como patrono o orixá Xangô.
“O pai de santo de Mãe Judith comprava seus irmãos africanos que eram escravizados e os libertava na fazenda Boa Vista. Lá todos viviam da plantação. Mãe Judith trouxe o terreiro para Cachoeira e se destacou pelo seu conhecimento da medicina natural”, conta Pai Duda. Com os investimentos, o terreiro será reestruturado.
“É um reconhecimento da nossa luta e importância desse espaço para a Bahia e para o Brasil”, completa. O terreiro foi tombado pelo Iphan no dia 29 de fevereiro. Em setembro do ano passado, o terreiro voltou a ser alvo de coação e tentativa de invasão.
Conjunto Urbano do Quarteirão 7 de Setembro
Cinco casarões atualmente inativos localizados no Quarteirão 7 de Setembro serão revitalizados a partir dos investimentos. “É uma rua em que temos monumentos históricos em estado de ruínas. São casarões antigos que não estão em funcionamento há muitos anos que passarão por restauração”, diz Marcelo Souza, secretário de Cultura de Cachoeira.
O casarão onde funcionava o Hotel Colombo, que desabou fevereiro deste ano, fazia parte do conjunto arquitetônico. Segundo a prefeitura, o restauro dos cinco casarões tem valor estimado em R$3 milhões.
Com informações de Jornal Correio.
Foto: Reprodução/Redes Sociais


