O Brasil foi organizado sob os pilares de uma invasão e trabalho forçado, que resultou no racismo sistêmico e estrutural que conhecemos, também marcado pelo extermínio das populações indígenas e negras, perseguição às religiões de matriz africana e pela demonização de tudo que não pertence ao processo do padrão eurocêntrico de enxergar o mundo.
Os sujeitos negros arrancados do continente africano tiveram que criar estratégias de sobrevivência do outro lado do atlântico. Foi através do culto ancestral aos orixás, inkisis e voduns, que os escravizados encontraram forças para sobreviver ao processo de violência da escravidão.
Os terreiros de candomblé do recôncavo apresenta-se com locais de resistência afro-brasileira, espaços de transmissão de saberes e preservação de valores socioculturais de uma cosmovisão afro-brasileira diaspórica, como exemplo desta temos o samba de roda que saí dos terreiros e tomam o país como símbolo cultural nacional.
Em São Félix, encontramos o Ilê Axé Ogunjá, regido pelo orixá Ogum, que tem como seu sacerdote o babalorixá Idelson Salles de Ogum, que anualmente, no mês de janeiro, tem a festividade denominada de “Feijoada de Ogum“, tão aguardada pela comunidade local.
Mais adiante chegamos a Maragogipe, onde fica o Ilê Alabaxé, que foi fundado por pai Edinho de Oxóssi, que hoje tem como seu sacerdote o babalorixá Robinho de Otin.
Neste ambiente também tem em seu calendário religioso a festividade denominada de “Orí Malu”, dedicada ao orixá Oxóssi, que ocorre anualmente no dia de Corpus Christis; festividade aguardada pelos adeptos do candomblé e também pelos não adeptos.
Nestes espaços ecoam uma firme raiz da ancestralidade afro-brasileira com seriedade, resistência e fé da memória pujante da história e contribuição do povo negro. O Recôncavo Baiano nitidamente é uma pequena África no que tange a etnografia da ideia de mola mestra da herança e presença cultural e resistência africana.
Fonte: ANF (Agência de Notícias das Favelas)



