Para a Polícia Federal, Jean foi responsável por um dos pagamentos ao hacker
Um contrato entre o gabinete da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) com uma empresa levantou a suspeita de que dinheiro público pode ter sido utilizado para pagar o hacker, Walter Delgatti, para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Um dos alvos da operação realizada nesta quarta-feira (2) pela Polícia Federal, Jean Hernani Guimarães Vilela é secretário parlamentar de Zambelli desde maio. A operação investiga a invasão ao sistema do CNJ.
Para a PF, Jean foi responsável por um dos pagamentos ao hacker. Delgatti confessou que inseriu informações falsas no sistema do CNJ, que armazena o Banco Nacional de Mandados de Prisão, em janeiro deste ano. Zambelli é investigada pela suspeita de ter contratado o hacker, com o objetivo de entrar no sistema.
Após a operação deflagrada pela PF, na quarta-feira (2), a parlamentar afirmou que os pagamentos ao hacker foram para cuidar do site dela, e negou o uso de dinheiro público da chamada cota parlamentar – verba que parlamentes tem direito para custear as despesas do mandato.
“Os pagamentos que houve foram sempre relacionados ao site, para ele fazer melhorias no site. Não foi da minha cota. Todo dinheiro foi de empresa que eu subcontratei, e essa empresa pagou, mas do meu bolso, não da cota”, disse Zambelli.
No entanto, dados da transparência da Câmara dos Deputados apontam que entre outubro de 2022 e abril deste ano, Zambelli pagou R$ 94 mil para serviços de divulgação parlamentar. A dona da empresa que prestou os serviços a deputada é: Monica Romina Santos de Sousa – esposa de Jean, assessor que realizou um dos repasses ao hacker.
Ao todo, a empresa recebeu sete pagamentos mensais de R$ 9 mil cada. Somente em dezembro – mês anterior a invasão ao sistema do CNJ – houve mais um repasse de R$ 31 mil.
O hacker Walter Delgatti disponibilizou à PF os extratos que revelam que ele recebeu de Zambelli R$ 13,5 mil nos meses anteriores e posteriores à invasão do sistema do CNJ. Em depoimento, ele disse que um desses pagamentos foi feito por Jean.
O que dizem os envolvidos
Jean Hernani, assessor de Zambelli foi ouvido nesta quarta-feira (2) pela Polícia Federal. Mesmo depois da deputada admitir que o hacker trabalhou em seu site, Jean disse que pagou Delgatti com dinheiro pessoal.
“A situação do hacker foi o seguinte: eu com, não sei se inocência… Eu quero fazer algo bonito para a deputada para ela poder ficar impressionada. Eu contratei o Walter com o dinheiro meu, pessoal. Não foi pago dinheiro da Hernani Filmes para o Walter, foi pago dinheiro do Jean, pessoa física”, afirmou Jean Hernani Guimarães Vilela.
Já Zambelli voltou a afirmar que nunca fez nenhum pagamento ao hacker Walter Delgatti com dinheiro da cota parlamentar.
O assessor da deputada respondeu pela esposa, Monica de Sousa. Jean disse que a empresa dela cumpriu todo o serviço para o qual foi contratada.



