Laboratórios cobram valores diferenciados para a aplicação do imunizante recém-lançado pela Anvisa
Ao menos sete laboratórios de Salvador cobram valores acima do preço de fábrica para a aplicação da nova vacina contra a dengue, a Qdenga. O imunizante começou a ser vendido na capital e região metropolitana na semana passada por valores até 116% maiores do que o valor estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), que é de R$ 277,52.
As clínicas particulares são autorizadas a repassar aos consumidores os custos para tornar a vacina acessível em um estabelecimento. Por isso, ao preço de fábrica, podem ser acrescidos custos de transporte, armazenamento, aplicação e funcionários. Chama a atenção, no entanto, a discrepância entre o que é cobrado em uma mesma cidade. Em Salvador, os valores vão de R$ 399 a R$ 599, segundo levantamento do Jornal Correio.
O preço de fábrica determinado pela Câmara de Regulação varia conforme o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de cada estado. A Bahia fornece, através da Secretaria da Fazenda (Sefaz), uma redução sobre a alíquota nominal de 19% para as vacinas. Na prática, a alíquota cobrada sobre os imunizantes é de 13,58%. A tabela de preços máximos disponibilizada pela Cmed leva em consideração os impostos de 12% e 17%.
Mesmo se a alíquota maior for considerada, os laboratórios da capital baiana cobram mais que o dobro para apenas uma aplicação.
A reportagem entrou em contato com as clínicas de vacina da rede privada de Salvador e RMS pelos canais de atendimento ao cliente na primeira semana após a liberação da nova vacina para o país. O valor cobrado pela Amo Vacinas, no Salvador Shopping, é o que mais se distancia do preço de fábrica. No laboratório, cada aplicação custa R$ 599 e pode ser dividida em até seis vezes. O preço é R$ 322 a mais do que o custo de fabricação do imunizante. No Labchecap, cada aplicação custa R$ 495. Já na Clínica de Saúde e Imagem (CSI), em Brotas, as doses custam R$ 430 cada.
O Leme cobra R$ 437 por cada imunizante. Enquanto que no laboratório Sabin, o valor cobrado por cada aplicação é de R$ 428 e, na Delfin, cada dose sai por R$ 399. O DNA é que cobra o valor mais em conta – R$ 290, ainda assim, o preço ainda é R$ 13 superior ao de fábrica. A reportagem não conseguiu contatar os laboratórios Fleury e Spalazanni.
O levantamento indica que o preço médio para uma aplicação da vacina Qdenga é de R$ 439, na capital e RMS. Isso significa que quem estiver interessado em se imunizar contra a arbovirose deve desembolsar cerca de R$ 878, já que são duas doses. O valor é similar ao encontrado em outras capitais.
A reportagem realizou uma pesquisa em seis laboratórios de três cidades: Recife, São Paulo e Curitiba. O preço médio mais caro foi encontrado na capital paulista: R$ 920. Já Recife e Curitiba têm a mesma média, R$ 875.
Todas as clínicas citadas na reportagem foram procuradas para comentar o preço cobrado pela aplicação da nova vacina. A Delfin Diagnósticos informou que são adicionados ao preço de fábrica os custos que viabilizam a disponibilidade das vacinas. “Na Delfin, o preço inclui a capacitação de funcionários, os custos de armazenagem, o sistema de recall, entre outros”, pontuou.
Os laboratórios Leme e Sabin não quiseram responder aos questionamentos realizados. A reportagem não conseguiu contatar as assessorias de imprensa das clínicas Labchecap, CSI, Amo e DNA. A Associação Brasileira de Clínica de Vacinas (ABCVAC) também foi procurada para comentar os valores praticados em Salvador, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.



